
Ao receber o convite de René Dotti, para o coquetel em que lançará obra sobre os seus 55 anos de advocacia (e abertura de sede de seu escritório em Brasília), no próximo dia 18, no Graciosa Country Club), parei para refletir.
Por dever, fiz imersões no tempo em torno de Dotti.
TESTEMUNHA DE UM TEMPO
E por “simples” motivo: a celebração não é de mero aniversário.
Como sou mais ou menos testemunha ocular daqueles dias iniciais do advogado René Ariel Dotti, instalado em minúscula sala do Edifício Azulay, na Dr.Muricí, com banheiro no corredor e comum a todos os inquilinos, não tenho como ficar no mero registro da data.
Outros advogados que se tornariam também exemplares, Augusto Prolik e Hélio Narezzi, ocupavam o mesmo prédio.
Os clientes, raros daqueles dias, muitas vezes procuravam o causídico à espera que os atendesse “pro bono”.
Ele atendeu muitos de graça.
UM PINTOR DE PAREDES

Para mim, além do inquestionável saber jurídico do mestre do Direito, produtor de doutrina jurídica, respeitado e acatado na academia e nos tribunais – especialmente os superiores -, há toda uma história singular que Dotti construiu. Tudo começou a partir de um lar simples, com a mãe costureira e o pai pintor de paredes, em Curitiba.
DIREITOS HUMANOS
A UFPR, da qual seria depois catedrático acatadíssimo, referência em Direito Penal, foi seu ponto de partida para as grandes causas, sobretudo as encampadas em defesa dos direitos humanos, que ele assumiria como advogado.
CONSTRUTOR DO PARANÁ
O meu próximo livro “Construtores do Paraná no Século 20 – Encontros do Araguaia”, a ser lançado em 2018, primeiro semestre, resume depoimentos de paranaenses que fizeram a moderna história do Paraná, a partir do século passado. Nele estarão, para ser fiel ao título, Jaime Lerner, Alvaro Dias, Paulo Pimentel, João Elísio Ferraz de Campos, Borsari Neto, Oscar Alves (testemunhando sobre Ney Braga). René Dotti foi dos primeiros ouvidos, seu depoimento é preciosidade à parte: ele tem o olhar também do intelectual, o homem que teve raras experiências como ator teatral, como secretário de Estado da Cultura, com o incentivador de novos valores da literatura.
O testemunho de Dotti no livro registra momentos únicos da vida paranaenses.
ALMA LIBERTÁRIA
Um desses momentos foi a longa e exaustiva batalha que travou na justiça militar em defesa de perseguidos políticos. Nesse capítulo, o dos jornalistas paranaenses acusados de infração à Lei de Segurança Nacional, de “professarem o comunismo”, Dotti expôs a dimensão de sua alma libertará. E que continua viva, forte, aos 55 anos de advocacia.
Na trajetória dos dias de hoje Dotti é acompanhando e sendo bússola para seus jovens companheiros de trabalho, como a filha, Rogéria, e os advogados Francisco Zardo, Knophfholz, Gustavo Scandelari, Júlio Brotto, Vanessa Cani, Fernanda Pederneiras, dentre outros escolhidos sob o cuidadoso olhar do mestre.
ENTRE OS NOTÁVEIS
O que posso testemunhar sem medo de cometer erro, é que Dotti faz parte dessa restrita fauna de notáveis paranaenses, referenciais homens públicos revelados a partir do século passado. Nela avulta também o nome de Euclides Scalco.
Até poucos anos passados, dessa seleção faziam parte – obrigatoriamente – Jayme Canet Junior e Belmiro Castor, “in memoriam”.

