segunda-feira, 11 maio, 2026
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Dos Leitores: pais de escolares dizem porque são contra retorno ao presencial

Foto: Lucilia Guimarães/Prefeitura de Curitiba

Senhor jornalista,

Escrevemos esta carta porque, nós, pais e responsáveis, estamos descontentes com o retorno obrigatório das aulas presenciais nas escolas estaduais, determinada por resolução do Governo do Estado. Apesar de ainda termos internações e mortes no Paraná pela Covid-19, mesmo sem vacinação dos adolescentes (que iniciou para 17 anos no sábado 02/10, com segunda dose somente em 29/11) e sem previsão ainda para nascidos a partir de 2006, em Curitiba, o estado afirma que cancelará as aulas via Meeting a partir desta semana.

NÃO FAZ SENTIDO

Depois de estarem em casa por 1 ano e 7 meses, o retorno de adolescentes, não imunizados, sem opção online para os que não se sentem seguros, (apenas para aqueles com comorbidades e com atestado médico) é uma medida que não parece fazer sentido, ainda mais com o termo de “ciência de riscos” que deveria ser assinado pelos pais e que agora foi eliminado, porque muitos não concordavam.

As escolas não têm estrutura para atender a demanda, mas o distanciamento foi reduzido para 1m, em agosto, pelo Governo Estadual, atendendo “a um pedido da comunidade escolar”, apesar de ser mantida em 1,5m em outros locais. O anúncio, segundo a Agência de Notícias do Paraná, foi feito durante a cerimônia que destravou o pagamento de promoções e progressões relativas aos exercícios de 2019 e 2020 para 16.319 servidores da educação, no Palácio Iguaçu.

ESPAÇOS PEQUENOS

As salas contam com 25 ou mais alunos e em dias de chuva não há como sair para atividades ou lanche externos, ficando confinados em espaços com pequenas janelas e sem ventilação. Sequer contam com funcionários suficientes para limpeza e higienização, segundo relatos de professores e diretores. Até mesmo os alunos se dizem inseguros.

As escolas se dizem obrigadas a cancelar o link para acesso online e informam que podem ser acionados Conselho Tutelar, o CERP e a Vara da Infância e da Juventude e os pais que não enviarem seus filhos poderão, inclusive, ser citados judicialmente por abandono intelectual. Mesmo alunos com boas notas e presenças não poderão faltar, pois não terão acesso aos conteúdos e provas, que também não serão mais entregues impressos.

MAS O MPPR ATENDE ONLINE

O Ministério Público informou por telefone em 04/10 que a Promotora “entendeu que deve ser feito o retorno obrigatório presencial sem acesso online” (embora eles mesmos estejam atendendo, em sua maior parte virtualmente, conforme o site).  A Defensoria, que atende exclusivamente não presencialmente até agora, pede que se entre em uma fila diária com apenas 20 senhas distribuídas pontualmente às 13h, por whatsapp, com agendamento telefônico para os “próximos dias”, para escutar os pais.

O Conselho Tutelar informa que tampouco pode fazer algo, pois a Secretaria de Saúde determinou e a Secretaria de Educação seguiu as normas. No máximo, podemos enviar os nomes dos alunos com seus dados (dividido por regional), para tentar ir para o Ministério Público, conjuntamente.

DE MÃOS ATADAS

Assim, os pais e professores que não concordam encontram-se de mãos atadas, munindo-se de abaixo assinados e grupos, em uma tentativa de evitar o alastramento da doença pelas escolas, resultando assim em uma explosão no aumento de casos em poucas semanas. O Secretário Estadual de Educação disse em entrevista (também no dia 04/10) que “quase não houve incidência” de casos quando a frequência era 25%, hoje encontra-se em 62%, segundo ele para voltar à qualidade do ensino. Mas seria possível recuperar quase 2 anos em 2 meses? Onde estão esses dados oficiais da transmissão nas escolas? O direito à Escola entra em conflito com o direito à Saúde?

PERIGO NAS VANS

Alguns pais relatam ainda que as vans escolares levam 12 alunos por carro, o que também aumentaria o perigo de transmissão (inclusive levando para dentro das famílias com idosos, comorbidades ou ainda não vacinados).

Outra questão importante é que muitos pais sequer podem pagar a van agora, devido ao aumento dos combustíveis (aproximadamente R$ 300,00 para transporte, o que representa, muitas vezes, uma conta de mercado ou despesas como luz ou água de uma família inteira), pois estamos todos sofrendo os efeitos na economia.

Há uma petição online com 1322 assinaturas no momento e um grupo recém criado no facebook e no whatsapp para tentar mobilizar quem se sente incomodado com a determinação e tentar chamar a atenção para o assunto.

POSIÇÃO DA PREFEITURA

Já a Prefeitura de Curitiba publicou em suas redes sociais no dia 26/09 que “vai manter os dois formatos de atendimento – presencial e remoto – para que os pais e responsáveis escolham o que consideram adequado à família”.  Entretanto, a fala de ontem (04/10) do Secretário da Saúde, pede “vacinação e cuidados”, apesar da obrigatoriedade do retorno e da diminuição do espaçamento.

Não somos, afinal, contra o retorno presencial pois entendemos as necessidades das famílias, mas queremos ter o direito de escolher, pela saúde de nossos filhos. Assinam alguns pais de alunos: – Ana Carolina Scheel (mãe de Guilherme, Escola Estadual Dona Carola – 9A) – Marilis Villalva (mãe de Iago, 9 ano, Escola Estadual Dona Carola) – Vanessa Stochero (Escola Estadual Dr. Xavier da Silva – 2B) – Vanilza Nazareth Gonçalves (mãe de Ranna, Escola Estadual Dr. Xavier da Silva – 3A) – Juliana Souza dos Santos (mãe de Lara, 3B) – Eliane de Oliveira (Escola Estadual Dr. Xavier da Silva – 2E) – Dolores de Paula Kavitski (mãe de Maria Eduarda, Escola Estadual Dr. Xavier da Silva – 3A) – Andréa Monteiro Pastor (mãe de Kaio e Ana Luiza, 9 ano e 2 ano do ensino médio, Escola Estadual Dr. Xavier da Silva) – Silmara ML Camargo (mãe de João Vitor, Escola estadual Dr. Xavier da Silva – 3° C) – Ellen (Escola Estadual Eurides Brandão, 2 ano do ensino médio e Escola Municipal do Caic Cândido Portinari, 3 ano) – Silvana de Jesus Ribeiro (mãe de Germano, Escola Estadual Dona Carola) – Eliete Cadorin (mãe de Caetano, 9A, Escola Estadual Dona Carola) – Fatima Nazareth Polizel – mãe de Nathan 9 Ano Xavier.

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