Caro Aroldo,
Sempre me questionei acerca da Identidade Cultural do Paraná. Fiz diversas pesquisas e leituras. No entanto, meu emprego possibilita a comunicação com diversos paranaenses, e pude, através da fala e de modo empírico, identificar que a Colonização Eslava (russos, ucranianos e poloneses) e alemã, dá a Região de Curitiba peculiaridades relacionadas ao folclore e línguas.
Já no Oeste, Centro Oeste, temos a figura do Colono, que tem características parecidas com os da Capital, mas onde agregamos os Gaúchos, que por sua vez, tem raízes italianas. Perceba que o Colono fala uma espécie de dialeto diferente, um caipira misturado com eslavo e italiano.
DIALETO CAIPIRA
Temos aqui no Norte, em Londrina e Cornélio Procópio, por exemplo, o dialeto caipira, influenciando pelo mineiro e paulista. Você deve prestar atenção na fala do caipira. Um dos mais estudiosos foi Amadeu Amaral, que em 1920 publicava as primeiras obras. O dialeto caipira pode ser entendido como Variação Linguística Regional/Geográfica e se caracteriza pelo ‘r’ retroflexo (como em “porta”, “carta”) e pela substituição do dígrafo “lh” por “i”, como em “palha”, “milho”, que se fala “paia”, “mio”.
“DOCE MISTÉRIO”
Aroldo, o estudo da linguística o ajudará a desvendar esse doce mistério que é nosso Portuguesa Paranaense. Fica a sugestão: o Paraná pode ser dividido em 3 (Curitiba, Norte e Oeste/Sudoeste), onde cada um tem sua cultura ligada ao falar, comidas, tradições culturais, lendas e folclores.
Fiz uma especialização em Língua Portuguesa para estudar o assunto e por muitos anos, como jornalista e repórter, fiz textos que buscavam isso: a construção de uma Identidade Cultural ao nosso querido Paraná através de personagens pitorescos, mas que guardam várias histórias a serem contadas…
MARCELO SOUTO, linguista, pesquisador, Curitiba
