
Karl Kraus, o pensador austríaco, do qual a editora Cosac Naify publicou uma coletânea de aforismos pouco antes de fechar as portas, riria às escâncaras com o cenário político brasileiro. Principalmente com o rol de celebridades de TV que se acotovelam na fila de presidenciáveis, buscando não só os 15 minutos de fama, que já conquistaram, mas um ingresso para a história.
DE BOAS INTENÇÕES
Os nomes pouco importam. São, em sua maioria, gente cheia de projetos, idealismo e boas intenções, aquelas mesmas que abarrotam o inferno. Em uma democracia representativa, não basta ser presidente, é preciso negociar com o Congresso. E é aí que, ao que parece, todos os projetos, idealismos e intenções, principalmente elas, dão de cara com seus demônios, que você pode chamar de congressistas.
ANSCHLUSS
Kraus não tinha ilusões. Viveu na Áustria quando ela já pendia para o nazismo de Hitler e para o anschluss (a “conexão” dos dois países de língua germânica). Morreu antes que ela se consumasse. Via nos uniformes uma piada de mau gosto, satirizando suas ideias e tratando com desprezo a limpeza étnica defendida por aquele homem baixinho de bigode ridículo.
PERSONAGENS
Guardadas as devidas proporções, há personagens no Brasil, e que agora pululam nas pesquisas, cuja feição caricatural não foge ao ridículo subnutrido de nosso legado.
ADEUS ÀS ILUSÕES
Brasileiros que veem salvadores e pais da pátria por todos os cantos são aqueles mesmos que, como Karl Kraus diria, acreditam, tal qual o diabo, que podem fazer as pessoas piores do que elas já são. Melhor não ter ilusões.
