segunda-feira, 6 julho, 2026
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DESTAQUE – DATAS: “ICO”, EXEMPLAR DA CURITIBA QUE VAI SUMINDO

Antonio João Escremin, “Ico” (Foto: Fábio Haygert)

Na semana passada morreu Antonio João Escremin, 89, “Ico”, como era conhecido e respeitado numa comunidade que ainda guarda muitos traços tradicionais da colonização italiana em Curitiba, Campo Comprido.

Ele foi um dos exemplares que sobreviveram, sem perda da sua identidade “histórica” naquela região em que seus avós chegaram no século 19, vindos da Itália, e onde foram criando filhos e deixando legados de fé e trabalho para as gerações que os sucederam.

Seu “Ico” era o curitibano que guardava boa parte do perfil dos italianos e descendentes que ajudaram a definir a alma de Curitiba.

Era capaz de ainda falar o “talian”, dialeto aprendido em casa, mas que não passou aos filhos.

Era dono de boa parte da memória do bairro em que nasceu e viveu e testemunhou grandes mudanças.

ELOGIO AO MARCENEIRO

Era homem simples, um marceneiro/carpinteiro verdadeiramente mestre em seu ofício.

E até poucos anos atrás, batiam em sua porta, buscando seus serviços exemplares. Quando recebia elogios – conta-me Carol Matte Escremin, uma neta sua – o avô saia-se direto, com toda a sabedoria dos que sabem referir-se à herança recebida: “Mas como não ser caprichoso, se escolhi a profissão de São José, o pai terreno de Jesus?”

OS RITOS DE PASSAGEM

A família, o trabalho, a fé religiosa católica, a presença quieta, discreta e colaborativa, sempre pronta a ajudar o próximo – essas eram marcas de Antonio João. Muitas de suas habilidades ele colocou sempre a serviço da comunidade próxima. No caso, a vizinhança e o grande universo que congrega no Santuário Nossa Senhora de Lourdes, em Campo Comprido, onde ele foi batizado, fez primeira comunhão, crismado e casou. E foi ali que “Ico” foi servindo com exemplo e dedicação ao próximo mais próximo: por anos apoiou o Movimento de Jovens, mas ele mesmo nunca se distanciou da menina de seus olhos, a Congregação Mariana, a que esteve ligado desde os 9 anos de idade.

TERÇO, HÁ 46 ANOS

Outro exemplo de fidelidade às matrizes espirituais em que foi criado, “Ico” mantinha-se fiel ao Terço Mariano que, com vizinhos, amigos e parte do bairro, rezava uma vez por mês. Isso há 46 anos ininterruptos.

Assim, para mim não foi surpresa nesses dias que as pessoas quase sempre morrem sem maiores manifestações de carinho, que Antonio João Escremin, “Ico”, tivesse uma multidão no seu velório e enterro.

LITERALMENTE

Além dos paroquianos e dos rezadores, “Ico” tinha amigos espalhados por times amadores de futebol e os que com ele ainda jogavam truco. Boa parte deles disse presente à despedida.

O sepultamento, “para variar”, foi no cemitério do Santuário Nossa Senhora de Lourdes, solo sagrado, seu inseparável endereço de vida. Do berço ao túmulo. (AMGH)

NB:

deixou a esposa, companheira de vida, Carmelita Escremin, 79; o filho Ronal Francisco Escremin, 58, casado; filha Noimar Marin Escremin, 53, solteira. Luimar Marizes Escremin – “in memoriam”, falecida em 2003.

Santuário N.S.de Lourdes, de Campo Comprido
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