
Membro do grupo de apoio pela libertação de Lula, um estudante, que não quer seu nome divulgado, alerta para acontecimentos recentes no acampamento de apoiadores instalado em um terreno próximo à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.
CONFUSÃO DIÁRIA
“É uma confusão diária”. Há confrontos entre militantes, brigas domésticas de casais e até furtos registrados por coordenadores do grupo, sem que as autoridades policiais sejam chamadas.
“MADAME”
O estudante, que não faz parte do grupo de acampados, mas participa das reuniões diárias dos “coletivos” pró-Lula, diz que, com o passar dos dias, houve um crescimento interno de tensões e de revolta por parte de integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) que se dizem abandonados por políticos petistas. Entre os responsáveis citam a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, tratada como “madame” no acampamento, e a deputada estadual gaúcha Manuela D´Ávila, pré-candidata à presidência pelo PCdoB.
CERVEJA, CHURRASCO E NAMORICO
O estudante, que participa de um grupo de estudos filosóficos no centro politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), diz que o som alto em algumas barracas tem provocado desavenças entre os acampados.
Militantes mais fervorosos reclamam do desvirtuamento da proposta inicial de luta pela libertação de Lula e de um “clima de festa” com cerveja, churrasco, ‘namoricos’ e bate-bola nas ruas”.
DECIBÉIS FORA DA LEI
Na sexta-feira passada (4), um delegado da Polícia Federal, morador do Santa Cândida, bairro onde foi alugado um terreno para os manifestantes acampados, quebrou um equipamento de som usado para saudar o ex-presidente Lula diariamente, cujos decibéis, segundo ele, estariam bem acima do permitido por lei.
A atitude do delegado não foi correta: ele poderia ter reclamado o auxílio de policiais para contornar o problema. Resolveu, no entanto, usar o seu “próprio poder de polícia…” Too bad.
SÚPLICA INFRUTÍFERA
Os episódios também levaram o prefeito de Curitiba, Rafael Waldomiro Greca de Macedo, a “suplicar” à Justiça a transferência de Lula. Ele defende o deslocamento do petista para o Complexo Médico Penal de Pinhais, onde estão outros presos da Lava-Jato, ou para São Paulo, local de domicílio do ex-presidente.
DRONE BRANCO
Um drone branco completa o cenário barulhento da região, desde a prisão de Lula, há um mês. Ele é usado pela Polícia Federal para monitorar a movimentação de manifestantes no entorno do prédio da superintendência.
Em reportagem de capa, a revista “Veja” informa nesta semana que os drones que não pertençam à PF podem ser abatidos a tiros caso sobrevoem a área durante o banho de sol de duas horas a que Lula tem direito.
Trata-se de uma imposição do próprio petista quando se entregou à polícia para cumprir a pena de 12 anos e um mês no caso envolvendo o triplex de Guarujá. A Justiça concordou.
