
O tempo passa e as empresas de transporte urbano de Curitiba continuam numa boa. Há cinco anos, na gestão de Gustavo Fruet, a Câmara Municipal produziu um relatório em paralelo com o Tribunal de Contas do Paraná apontando irregularidades nas planilhas e detectando que o custo da tarifa não tinha base empírica.
SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO
Em miúdos, o que estava na tabela de custos não se justificava na letra fria do contrato e principalmente nos aspectos técnicos. Os dados sequer eram auditados.
SAI FRUET, ENTRA GRECA

Fruet passou, Rafael Valdomiro Greca de Macedo chegou e o que se viu foi um aumento caviloso da passagem de ônibus. A alegação: o número de passageiros na cidade onde o transporte urbano é modelo internacional havia caído. Conversa, tudo indica.
O impacto foi enorme. Não para menos. Veja-se que só agora, por exemplo, o Rio passou a ter tarifa de ônibus urbano de R$ 3,60. O que é ainda muito abaixo dos R$ 4,25, decretados pelo prefeito nos primeiros dias de seu atual consulado.
Tudo indica que Curitiba tem ainda a tarifa de ônibus urbano mais cara do Brasil. Os dados estão à disposição de confronto, na web.
“HAPPY HOUR” NO GRACIOSA
Paira ainda fresca na memória do contribuinte, e do sujeito que vai agora pendurado à porta do ônibus, a imagem do prefeito Greca fotografado em “happy hour” no Graciosa Country Club com Donato Gulin, empresário cuja família é dona de 70% do transporte coletivo da capital.
O assunto foi largamente explorado pelo jornalista Celso Nascimento, na sua então coluna na Gazeta do Povo (da qual infelizmente, acaba de ser desligado, embora o jornal não mais tenha a importância de dias passados recentes).
Houve explicações da autoridade. Mas a eloquência da foto e, em seguida, da nova tarifa…
EM 35 DIAS
Não satisfeito com o reajuste, que fez crescer a tarifa de R$ 3,70 para R$ 4,25 em apenas 35 dias da administração Greca de Macedo, Gulin comandou ainda uma ação contra a prefeitura para impedir a renovação da frota de ônibus. A alegação: desequilíbrio do sistema. O mesmo sistema no qual a CPI dos Transportes da Câmara Municipal encontrou inconsistências e furos que causariam inveja a um queijo suíço.

Quem se lembra da CPI da Câmara Municipal?
Os historiadores se lembram e estão levantando os elementos ‘descobertos’ pela CPI.
Dizem que jornalistas também se lembram.
Prenuncia-se, então, que lá vem chumbo acadêmico, assunto para a História de Curitiba, sem dúvida.
PAGA E PAGA CARO
Lá se vão cinco anos e só agora a prefeitura de Curitiba aproveita a efeméride de março – o aniversário da cidade – para colocar em circulação 25 novos ônibus biarticulados. É pouco para uma frota de 1.200 ônibus, todos com a data de circulação vencida.
Um convencional tem vida útil de 10 anos. Os híbridos duram 12. Os biarticulados de 12 a 15. Desde 2010, a considerar o relatório da Câmara, com o aval do TC, não há renovação substancial da frota, o que significa que a população paga pelo desconforto, pelo atraso e pela inoperância da linha. E paga caro.
A URBS TEM CULPA NO CARTÓRIO
A Urbs, empresa de administração indireta que encheu as burras com o gerenciamento do transporte público e com as multas do Estar, perdeu a gorda fatia de 4% que lhe cabia no fundo de urbanização de Curitiba quando o sistema passou a ser administrado pela Setran: a Secretaria Municipal de Trânsito. O que era R$ 1,2 bilhão foi reduzido para R$ 800 milhões e tende a cair. Que o digam os funcionários da autarquia, cuja folha de pagamento antes representava 80% das despesas. Acabou-se o que era doce. O programa de demissão voluntária da Urbs já recebeu 156 adesões. E vem mais por aí.
AS CONTAS NÃO BATEM
Mas o drama do transporte urbano para o usuário só vai acabar quando a planilha de custos bater com as despesas das empresas de transporte urbano. Sem malabarismo por parte das últimas. E sem conversas ao pé do ouvido, como aquela que o jornalista Celso Nascimento admitiu ter havido na “happy hour” do Graciosa Country Club.
