
Azar de São Paulo, sorte de Curitiba. A mostra “Ásia: a terra, os homens, os deuses” desembarcou no Museu Oscar Niemeyer. São 3 mil itens do acervo do diplomata Fausto Godoy que agora pertencem ao MON, em regime de comodato.
Antes, Godoy o havia doado ao Masp, mas o museu paulistano abriu mão dele após a última crise e a troca de gestão. Desde que assumiu um posto na embaixada do Brasil em Nova Délhi, em 1983, Godoy vem reunindo as peças.
EM BUSCA DE PRECIOSIDADES
O diplomata ocupou cargos oficiais na embaixadas de Pequim, Tóquio e Islamabad, além de ter cumprido missões no Vietnã e em Taiwan. No frenesi de sua busca por relíquias, peças de arte e artigos de uso cotidiano, Godoy rodou obsessivamente até pelos domínios do Talibã, no Afeganistão.
CLUBE DOS 19
A coleção, invejável por todas as perspectivas, põe o MON no patamar do Metropolitan de New York e deve garantir o seu ingresso no “Clube dos 19”, que congrega os museus com os melhores acervos do mundo.
EM BUSCA DE PEÇAS PRECIOSAS
Godoy, um paulista nascido em Bauru, município do interior do estado, abdicou de postos na Europa ou nos Estados Unidos para percorrer a Ásia e o Oriente em busca de preciosidades agora reunidas no MON.
CONTRATO COM O MASP
Em 2011, o diplomata chegou a assinar com a direção do Masp um contrato para cessão de sua coleção. De imediato, Godoy entregaria em comodato por 50 anos quase 2 mil peças de história das civilizações asiáticas. O projeto fez água após denúncias de gestão temerária do museu e da consequente troca de comando.
NICHO ACADÊMICO
O embaraço custou sete anos. Nesse meio tempo, Godoy pensou em ceder o acervo a uma universidade, mas temeu que ele ficasse restrito ao nicho acadêmico ou, ainda pior, aos depósitos entulhados da administração pública.
MARCO ZERO
A exposição aberta, em Curitiba, no primeiro dia de março, registra a mesma disposição do diplomata no início da década: estabelecer um marco zero de um futuro centro de estudos asiáticos. A coleção representa um catálogo abrangente das civilizações asiáticas, reunindo desde o primeiro objeto adquirido pelo diplomata num antiquário de Nova Délhi, em 1984 – o Narasimha, quarto avatar do deus Vishnu –, até mangás japoneses. Os itens reúnem ainda gravuras Ukyo, peças de mobiliário, objetos de porcelana chinesas e um cavalo de terracota que adornava uma tumba chinesa da dinastia Han (206 a.C. a 220 d.c.).






