Para manter a floresta em pé é necessário ocupá-la de forma sustentável, sem depredá-la

Agências de Notícias | Aleteia
Cientistas brasileiros concluíram em agosto as escavações em um complexo arqueológico na Amazônia, que reforçam a teoria de que esta região era densamente povoada antes da chegada dos colonizadores europeus.
As descobertas – vasilhas, restos de cerâmicas, pedras talhadas, sementes carbonizadas e camadas de solo enriquecido – permitem pensar, ainda, que o modo de vida dos habitantes originários pode conter ensinamentos sobre a preservação da maior floresta tropical do mundo, afirma o arqueólogo Rafael Lopes, que participou da exploração no estado do Amazonas (norte).
Os vestígios de plantas domesticadas, ou manejadas, como o cacau, o açaí e o cupuaçu, assim como a presença de frondosas castanheiras com mais de 500 anos, indicam que a região esteve ocupada por pelo menos cinco populações diferentes, incluindo comunidades ribeirinhas e indígenas atuais.
LIÇÕES PARA O FUTURO
Com técnicas de manejo sustentável dos recursos naturais, os povos originários moldaram positivamente seu hábitat e têm muito a ensinar aos ocupantes atuais da floresta, afirma o especialista.
“Essas populações tradicionais tiveram um grande impacto positivo na biodiversidade. São centenas de espécies [vegetais] com algum tipo de domesticação, e algumas das espécies que eles utilizavam são hoje as mais comuns na Amazônia inteira”, acrescenta.
Esses modelos, completou, “podem se encaixar para preservar e até recuperar outros biomas, tarefa importante principalmente num momento de cataclismo climático como a gente está vivendo”.
(AFP)
