sexta-feira, 10 julho, 2026
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Corredores do Iguaçu: A Dança do Vice

Nas últimas semanas, nos Corredores do Iguaçu, a especulação correu solta sobre quem poderia ser o melhor vice para a chapa de Sandro Alex, o candidato (até a data de hoje) ao governo do Paraná, escolhido para sucessão do governador Ratinho Junior. E nessa “dança do vice”, três nomes apareceram com força: um muito desejado, um muito atrativo, e um terceiro que ninguém esperava.

Todo mundo que trabalha, direta ou indiretamente com política, sabe que o vice mais desejado pela situação é Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e que até bem pouco tempo atrás fazia parte do mesmo partido (PSD) do governador. Rafael Greca, inclusive, sempre muito astuto em suas articulações políticas, desembarcou do PSD e embarcou no “MDB velho de guerra”, quando percebeu que seu nome não estava na cabeça do governador para ser escolhido como sucessor do grupo ao Palácio do Iguaçu.

Rafael Greca, o desejado, não aceita ser vice de Sandro Alex por uma questão, puramente, matemática: está na frente de Sandro nas pesquisas. Então, de uma forma lógica, quem deveria ser o “cabeça de chapa” seria Rafael e, talvez, Sandro de vice. E não o contrário.

Essa matemática ficou evidente na última pesquisa, que inclusive repercutimos na última coluna: o levantamento da Vox Brasil, divulgado na sexta-feira passada, mostra que o senador Sergio Moro (PL) ainda lidera a disputa pelo governo do Paraná em todos os cenários de 1º e 2º turno testados.

No cenário 1, Moro lidera com 39,6%, seguido de Requião Filho (PDT) com 20,8%, Rafael Greca (MDB) com 17,8% e Sandro Alex (PSD), com 5%. No cenário 2, sem o nome de Greca, Moro cresce para 47%, Requião Filho sobe para 24,2% e Sandro Alex marca 4,8%. Já no cenário 3, sem Sandro Alex, Moro aparece com 41,2%, Requião Filho com 21% e Rafael Greca com 19,2%.

Foto: Arnaldo Alves/ANPr

Há quem diga que representantes da situação ainda correm atrás de Greca e torcem para que o ex-prefeito aceite o convite. Mas na insistente negativa, na última semana, o nome de um candidato “muito atrativo” para o grupo apareceu: Coronel Hudson Teixeira, secretário de Estado da Segurança Pública e que foi destaque na mídia durante os últimos anos da gestão Ratinho Júnior por fazer um bom trabalho e ajudar os paranaenses a se sentirem mais seguros.

Lembrem-se que segurança pública, depois de saúde e educação, é um tema que aparece com força durante as eleições. Anualmente, é pauta certeira e prato cheio para a imprensa. Então, com um pensamento mais alinhado à direita e na busca pelos votos que até então pertencem ao candidato Sérgio Moro, seria interessante forçar um vice ligado à Segurança Pública para tentar atrair este eleitor mais alinhado às pautas da extrema direita.

Coronel Hudson Teixeira

Dizem, nos Corredores do Iguaçu, que até houve uma tentativa de conversa e um “quase convite” para Hudson. E que ele não teria aceitado a missão. Prefere seguir na linha de frente do combate ao crime e ajudar na eleição do sucessor de outras formas.

O terceiro nome e mais improvável é o da ex-secretária de estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Leandre Dal Ponte. E se política é matemática pura, essa conta é ainda mais certeira. Sandro Alex é, frequentemente, apresentado como o “homem das obras”. E todo o discurso do Governo, até então, é um trepidar de batidas no peito anunciando obras, números, e cifras.

Mas em meio a tantos algoritmos, quem está pensando nas pessoas?

Leandre Dal Ponte, ex-secretária de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa. Foto: Robson Mafra/ Semipi

O nome da ex-secretária Leandre, que tem pautas focadas no cuidado, na política das mulheres e na atenção social, viria como um complemento natural e mais humano dentro de uma candidatura tão focada em números, obras e cifras. É a peça que faltava no quebra-cabeça da chapa do PSD.

Além disso, nenhum dos candidatos ao Governo do Paraná apresentou uma vice mulher. E as mulheres, ainda por cima, são a maior parte dos eleitores do Paraná. Seria natural um movimento para conquistar esta fatia do eleitorado que pode, inclusive, desequilibrar e ajudar a definir a eleição.

Poderíamos até cogitar aqui a ex-jornalista Cristina Graeml. Mas ela está tão apagada dentro do PSD, que não seria uma novidade, nem uma opção viável. Cristina tem aparecido de forma muito fraca nas pesquisas, inclusive, para o Senado. Então, primeiro que não seria uma novidade lançar ela de vice. Segundo que… bom, já falamos sobre a questão Cristina e você pode ler mais aqui.

O governador do Paraná está de férias e deve voltar na próxima semana para Curitiba. A convenção do PSD está marcada para dia 25 de julho. É durante a convenção que serão anunciados os nomes de candidatos a deputado estadual, federal, senador, vice e governador do partido.

Foto: Rodrigo Félix Leal

Será que, nesse entremeio de batidas no peito, o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, vai ter coragem de manter seu candidato, Sandro Alex, mesmo amargando 10% nas pesquisas pouco mais de um mês e meio antes das eleições?

Será que o governador vai mudar de candidato, voltando a apostar em uma eventual candidatura de Alexandre Curi? Dizem, nos corredores do Iguaçu, que Rafael Greca aceitaria uma vice de Curi. Mas dizem, do outro lado do corredor, que Greca também estaria sendo assediado pelo candidato da esquerda, Requião Filho. A informação, contudo, é negada por fontes ligadas ao PT.

Enquanto, mais uma vez, o PSD se atrasa para tomar uma decisão, o candidato do PL, Sergio Moro, foi o primeiro a anunciar seu vice: Edson Vasconcelos, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP).

Seria tarde demais para o PSD voltar atrás na escolha? Aguardemos as cenas dos próximos capítulos da “Dança do Vice”, uma novela que pode custar caro para os atuais donos do poder no Estado do Paraná.

Quem será que Sandro Alex, ou melhor, Ratinho Junior vai tirar pra dançar?

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