
A Coréia do Sul é importante parceiro comercial do Brasil, sendo o 13º destino de nossas exportações e o 5º principal país de origem de nossas importações.
Só este dado já seria relevante para o destaque que esta coluna dá hoje à inauguração do (novo) Consulado da Coreia do Sul em Curitiba, marcado para o próximo dia 26, sexta-feira, quando nele tomará posse Maria Elisa Ferraz Paciornik como cônsul honorário para o Paraná.
A solenidade será presidida pelo cônsul geral coreano, Éhak You Kim, de São Paulo. Ele fala um bom português.
A cerimônia de instalação do consulado – Rua Eurípides Garcez do Nascimento,545 –será às19 horas.
COMÉRCIO FORTE
Falar das relações Brasil-Coreia passa necessariamente pela indústria automotiva coreana, muito presente no país todo e pela indústria de confecções. A isso deve se acrescentar a importância que a Coréia assumiu, fazendo da Educação modelo essencial ao seu desenvolvimento, o que a elevou à categoria de país desenvolvido.
Há outros dados a serem observados: a Coreia consolida-se como grande exportadora de cosméticos, produtos que estão ganhando espaço em todo o mundo.
EDUCAÇÃO
– A Educação, num programa de parceria do Paraná com a Coréia, bem que pode se transformar num ponto de partida desse novo momento das relações de nosso estado com Seul, admite a cônsul Maria Elisa.
Por ora, apenas uma reflexão “em voz alta”, diz a Cônsul, lembrando que, com novo governo, ampliar as relações Paraná-Coreia deve ser parte de todo um processo consular e governamental.
COOPERAÇÃO
Largamente conhecedora da realidade paranaense – de cujo patriciado é nome muito representativo – Maria Elisa aponta sobretudo a necessidade de promoção de realidades culturais do Estado com a Coreia, assunto que ela domina: foi diretora e uma das fundadoras da Fundação Cultural de Curitiba, criada por Jaime Lerner, e sempre esteve ligada a manifestações culturais, especialmente música popular brasileira (PB) e artes plásticas.
BREVE PERFIL
Maria Elisa, nascida em Londrina, projetou-se no plano político e empresarial a partir de Curitiba, onde formou-se em Direito pela UFPR e deu grande impulso a programas de cooperação como o conhecido Programa Paraná-Ohio.
Aguerrida, herdou de dona Lenita, a mãe, o fácil trato social, a capacidade de fazer amigos e influenciar pessoas; do pai, Ruy Ferraz de Carvalho – advogado que presidiu a OAB-PR e foi secretário de Estado de Ney Braga -, a larga visão administrativa e a observância dos cânones jurídicos em cada passo de suas atividades.
Foi prima de um dos políticos mais acatados da vida paranaense, José Hosken de Novaes, ex-governador, que assumiu em substituição a Ney Braga.
DIRIGIU RENAULT
Depois da Fundação Cultural de Curitiba, foi secretária de Estado da Administração do Paraná (segundo governo Lerner) e, anos depois, diretora da Renault do Brasil.
No âmbito cultural, o nome da cônsul é fortemente ligado à França, tendo sido por anos diretora da Aliança Francesa de Curitiba.
MINAS NA ALMA
Amigos mais próximos de Maria Elisa Ferraz de Carvalho (viúva de Jaime Paciornik) arriscam “um olhar etnográfico em torno dessa mulher singular”.
Assim, lembram que ela é uma “feliz composição de mineiros que foram para Londrina, Ruy e Lenita, e com sangue inglês – pelos Hosken – e indígena.”
Aliás, muito antes do politicamente correto que agora reina na identificação de linhagens e genealogias, Maria Elisa já contava, ufanista: “Tenho raízes indígenas”.
FAMÍLIA
Mãe de Germano, Pedro e Rui, advogados, avó de cinco netos, a cônsul sabe bem identificar a importância dos coreanos no Paraná: quando iniciada a imigração de coreanos para o Brasil, a partir de 1963, de uma só vez pelo menos mil deles vieram para o Paraná. Aqui se dedicaram basicamente ao comércio e profissões liberais foram assumidas pelos descendentes desses pioneiros.
Os coreanos e seus descendentes no Brasil somam cerca de 60 mil pessoas. A imigração foi até o começo dos anos 1980.
Começou quando, sob uma ditadura, a Coreia vivia grave crise econômica. Hoje está na relação dos países desenvolvidos.

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COMO TUDO COMEÇOU
Relações diplomáticas entre o Brasil e a República da Coreia (Coreia do Sul) foram estabelecidas em outubro de 1959. O Brasil foi o 8º país do mundo e o 1º latino-americano a proceder ao reconhecimento oficial da Coreia do Sul. A Embaixada brasileira em Seul foi instalada em 1965. A primeira Embaixada sul-coreana na América Latina foi aberta no Rio de Janeiro, em 1962.
RECENTE
O histórico recente das relações entre o Brasil e a Coreia do Sul distingue-se, sobretudo, pela ampliação dos investimentos sul-coreanos no Brasil, pela intensificação da cooperação acadêmica – em especial no âmbito do programa “Ciência Sem Fronteiras”, pelas perspectivas favoráveis na cooperação em ciência, tecnologia e inovação e pelo crescimento dos fluxos bilaterais de comércio. Há grande potencial de cooperação em setores de alta tecnologia, como semicondutores, tecnologias da informação e das comunicações, biotecnologia, energias renováveis, setor aeroespacial e nanotecnologia.
INVESTIMENTOS
Nos últimos anos, houve aumento expressivo dos investimentos sul-coreanos no Brasil, especialmente nos setores eletrônico, automobilístico, petrolífero e siderúrgico. Em 2014, o Brasil foi o 14º destino das exportações sul-coreanas. O país asiático, por sua vez, foi a 23ª fonte das importações brasileiras. Ainda no ano passado, a Coreia do Sul foi o 3º parceiro comercial do Brasil na Ásia e o 7º no mundo. O Brasil é o maior parceiro comercial da Coreia do Sul na América Latina.
COMO COMEÇOU
A imigração coreana no Brasil teve seu início oficial em 23 de fevereiro de 1963. Anteriormente, há registros de cidadãos coreanos imigrantes, especialmente pequenos grupos familiares chegados na década de 1950.
Os primeiros registros remontam a 1918, quando os primeiros coreanos teriam aportado no Brasil. Eram apenas seis pessoas que vieram visitar o país e não retornaram. Atualmente estima-se cerca de 50 mil coreanos e descendentes no Brasil. Os coreanos são um dos grupos de imigrantes a vir mais recentemente ao país. Cerca de 92% no estado de São Paulo. Destes, 90% moram e trabalham na capital paulista.
(Fontes: Itamarati, web e agências de notícias)
