PGR vai ao Supremo pedir apuração das denúncias de Moro

Durou 40 minutos, das 17 horas às 17h40 min a fala do presidente Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira, 24, em Brasília, quando ele falou para a Nação – e para emissoras de televisão e imprensa em geral – sobre a demissão de Sergio Moro.
A manifestação do presidente, em parte de improviso, em parte escrita, foi marcada por acusações pesadas, como a de que o ex-ministro teria-pedido que ele só dispensasse o diretor geral da PF, Maurício Valeixo, “depois de novembro”, quando, disse, esperaria sua nomeação (dele Moro), para o STF.
Em tom visivelmente magoado, o presidente garantiu que Moro deu-lhe diversas provas de desinteresse em colocar a Polícia Federal para investigar as acusações do porteiro de seu condomínio – depois demonstradas falsas – relacionadas ao caso Queiroz.
Embora reconhecendo qualidades técnicas e bons quadros da PF, garantiu a Polícia Federal manteve-se distantes da apuração de fatos importantes, citando o caso de abuso de autoridades. Citou como exemplo pessoas sendo algemadas, no país, em função de terem quebrado a quarentena, caso concreto de pequeno comerciante em Piauí.
Garantiu que os ministros (quase todos presentes, circundando-o em sua fala) presenciaram, na última reunião do Ministério, ele cobrando providencias de Moro e da PF a essas ações de abuso de autoridade. Sem resultados, no entanto.
O presidente lembrou, várias vezes, ser seu privilégio nomear dirigentes de órgãos públicos, como a Polícia Federal.
Reconheceu o papel de organismo de Estado da PF, mas assinalando que ela, ao contrário do que Moro menciona, deve colocar-se sob a hierarquia presidencial.
Nesse sentido, disse que preferir deixar a Presidência a não poder exercer o poder do seu cargo como conferido pela Constituição.
De forma enfática, negou que, em qualquer momento, tenha pedido a Sergio Moro que blindasse qualquer pessoa de investigações policiais. E que, muito menos, tenha sugerido que o ex-ministro atuasse para influenciar em decisões judiciais, ou que tenha pedido acesso a informações privilegiadas da PF.
Em outras palavras, garantiu que Moro mentiu. Assim, como em tom dramático, garantiu que, se a PF hoje investiga menos corrupção, isso se deveria à qualidade dos componentes de seu Governo, que zelam pela coisa pública e não deixam ocorrer malversação com recursos públicos.
