segunda-feira, 11 maio, 2026
HomeMemorialBiografia de Zé Rodrix, nova incursão de Toninho Vaz na vida de...

Biografia de Zé Rodrix, nova incursão de Toninho Vaz na vida de ícones de uma geração

Livro sobre Zé Rodrix com lançamento marcado para hoje (dia 1º)
Livro sobre Zé Rodrix com lançamento marcado para hoje (dia 1º)

O jornalista e biógrafo Toninho Vaz, 70, lança nesta sexta-feira (1°) o livro “O Fabuloso Zé Rodrix”, no Museu Guido Viaro, em Curitiba. Vaz, radicado no Rio de Janeiro, ganhou notoriedade ao retratar escritores malditos. Estreou com “O Bandido Que Sabia Latim”, a biografia de Paulo Leminksy, seguida da incursão na vida breve de Torquato Neto, o poeta piauiense parceiro de Gilberto Gil e Caetano Velo no movimento tropicalista.

PIÁ DO CENTRO

Antônio Carlos Martins Vaz, o Toninho Vaz, nasceu em Curitiba em 2 de outubro de 1947. Morou na Lamenha Lins, estudou na Barão do Rio Branco, no centro, e no Colégio Iguaçu. Fez dois anos de jornalismo, na Universidade Católica do Paraná (hoje PUC-PR) e depois na Estácio de Sá, no Rio, mas nunca concluiu o curso.

MORTES PRECOCES

Há um tom trágico na história de sua família. Filho caçula de Arquimedes Martins Vaz e Ondina Bley Valente, ela descendente de alemães, Toninho Vaz viu o pai morrer aos 28 anos e o irmão mais velho aos 12, vítima de uma doença genética rara. Ficaram ele e a mãe a dar satisfações ao mundo.

BRAÇOS LONGOS

Martins Vaz: biografias como “missão”
Martins Vaz: biografias como “missão”

Vaz foi jornalista desde o primeiro ofício. Agarrou as oportunidades que lhe ofereciam. Primeiro no Diário do Paraná, onde era diretor de redação este colunista, depois na Gazeta do Povo, Diário da Tarde e no Voz do Paraná, jornal ligado à Igreja Católica a quem a ditadura militar não ousava apanhar com os longos braços. Ou, ao menos, não o mantinha em rédeas curtas.

SOOU O ALARME

A boemia já fazia parte de seu metiê. Era amigo de Paulo Leminsky, de jornalistas e escritores malditos e abusava do álcool em doses industriais. Quando o alarme do vício tocou, ele já estava seguindo de ônibus para o Rio de Janeiro, onde pretendia fazer carreira no jornalismo e na vida.

UMA INGLESA EM SUA VIDA

Passou fome na cidade maravilhosa, como tantos passaram. Dividiu um quarto de pensão com Tim Lopes, o jornalista assassinado tragicamente em um morro carioca, e só deixou o lugar porque se viu quase-casado com uma inglesa de nome Margareth Dick – assim mesmo – distante dali.

LUZ GLOBAL

Aos 33 anos, sua carreira jornalística deslanchou. Trabalhou como editor de texto na TV Bandeirantes do Rio para depois se transferir para a Rede Globo, onde passaria 19 anos.

A IDEIA DA VIÚVA

A ideia da profissão de biógrafo, se é que se pode dizer assim, veio por acaso. Ele fazia um tour etílico-literário-cultural pelo Rio de Janeiro, ao lado de Alice Ruiz, a viúva de Paulo Leminski. Quando foram dar no Amarelinho, na Cinelândia, quase ao amanhecer de um dezembro de 1998, ela disse que alguém precisaria escrever a biografia de Leminski e lhe fez um convite que era mais um desafio: “Que tal?”

OBRA EMBARGADA

Vaz diz que esperou que a ressaca passasse para lhe dizer que estava considerando a ideia. Dois anos depois e a primeira edição estava pronta. Não se fale aqui dos entreveros. Eles existiram. Às vésperas da quarta edição, Alice Ruiz embatucou com o trecho em que ele descrevia o suicídio de Pedro, o irmão de Leminsky. Embargou a obra. A quarta edição não veio, mesmo com o “Cala a boca já morreu” da ministra do STF, Carmen Lúcia. E Vaz não sabe se virá. Ele mais do que nunca foi um amigo próximo de Leminsky. Viu sua ascensão, viu seu auge, viu sua queda afogados em mágoas e álcool do melhor e do pior.

MUITAS HISTÓRIAS

Mas a vida segue. Ele está imerso em outros projetos, como esteve no pós-Leminsky. Torquato Neto, Darci Ribeiro, Jaime Lerner, O Solar da Fossa – casarão que abrigava a classe artística nos anos 60 – e o Rei do Cinema, Luiz Severiano Ribeiro. A história de Zé Rodrix é um deles. O título “O Fabuloso Zé Rodrix” não ocorreu por acaso. Vaz descobriu que Rodrix era um mitômano de carteirinha. Elaborava vidas que não teve. Há trinta versões delas nas páginas da biografia. Um fabulário geral do cantor e compositor, que foi também maestro, arranjador, publicitário e autor de um cartapácio de mais de mil páginas sobre a maçonaria (“A Trilogia do Templo”).

MIL FACES, MIL INSTRUMENTOS

Toninho Vaz não conheceu Zé Rodrix. Soube dele através de um interlocutor privilegiado, o parceiro Guttemberg Guarabyra do trio. Sá, Rodrix e Guarabyra. Foi ele quem lhe sugeriu o tema. Mais uma curiosidade sobre Rodrix que Toninho Vaz se encarrega de esclarecer. O compositor e cantor tocava trompete no clube de “Soy Latino Americano” ou tratava-se de encenação? Não, ele tocava. Era um homem de mil faces e mil instrumentos.

Sá, Rodrix e Guarabyra nos tempos de Rock
Sá, Rodrix e Guarabyra nos tempos de Rock
Leia Também

Leia Também