
Edson Campagnolo, presidente da poderosa FIEP, e o superintendente do SESI-Pr, José Antonio Fares, capricharam: a entrega do Prêmio Pinheiro de Ouro de 2016, nesta terça, dia 12, a partir das 18 horas, no Campus da Indústria (Rua Comendador Franco, Jardim Botânico), fará justiça a dois gigantes do Paraná de hoje, na homenagem ‘post-mortem’ a Belmiro Valverde Jobim Castor e José Eduardo de Andrade Vieira.
Belmiro e José Eduardo viveram anos muito próximos. Depois se distanciaram, por divergências profissionais. Ilustres ausentes, pela morte, ganham agora as homenagens conjuntas do mundo da indústria.
TÚNEL DO TEMPO
Não será uma festa comum, a começar pelo fato de que vai marcar o lançamento do chamado “Túnel do Tempo SESI 70 anos”. Trata-se de apresentação documentada de obras e ações, grandes contribuições do Serviço Social da Indústria ao Paraná. São sete décadas de obras sociais, com destaque, hoje, na área do ensino.
O alegre da noite será amplo, promete uma fonte do SESI, ao anunciar que a dupla Chitãozinho e Xororó garantirá músicas de raízes na festa em que se inclui também coquetel para confraternização de centenas de convidados.
Os convites para a noite levam a assinatura de Edson Campagnolo e do superintendente do Sesi, José Antonio Fares.
ELIZABETH CASTOR
Elizabeth Castor, viúva de Belmiro Castor, a quem coube tocar a fantástica obra educacional que é o Centro Educacional João Paulo II (em Laranjeiras, Piraquara), ofertando ensino de primeiro nível a populações carentes, receberá o Pinheiro de Ouro em nome da família e da instituição educacional.
Elizabeth e Belmiro sempre foram meus amigos pessoais muito próximos, a quem acompanho desde o casamento deles, nos anos 1960.
Discreta, ela apenas me confirmou, respondendo a uma pergunta minha:
– Belmiro e Zé Eduardo mantinham ‘distância regulamentar’, antes mesmo da intervenção no Bamerindus. Não mais eram próximos antes mesmo do fim do banco que os uniu muito por certo tempo.
Como diretor superintendente e depois diretor geral do Bamerindus, Belmiro teve papel vital na consolidação e pela melhor fase que a instituição bancária paranaense viveu.
Uma das marcas deixadas por Belmiro no banco fundado por Avelino Vieira – pai de José Eduardo – foi sua atuação como diretor da Área Internacional do banco. Antes da intervenção decretada pelo BC, a área só perdia importância, dentre os bancos brasileiros, para o Banco do Brasil.
O gigantismo de Belmiro Castor na vida paranaense foi de uma contribuição polifórmica. Por 3 vezes foi secretário de Estado Planejamento, uma vez de Educação (governo Álvaro Dias) e depois, retirou-se definitivamente da vida pública. Foi pós doutor em Administração pública, professor da UFPR e da Pós-Graduação da PUC, além de ter sido professor visitante em outras universidades.
OLHANDO O PR
Autor de uma das obras seminais sobre o país, o livro “O Brasil não é para Amadores” (que tive a honra de escrever o prefácio da primeira edição), Belmiro Valverde Jobim Castor era um “causeur” por excelência.
Ninguém contava melhor do que ele uma boa história, com pitadas de humor em que expunha sua herança gaúcha, baiana e carioca. E igualmente com traços da cultura paranaense.
Sua especialidade era o Paraná, a história econômica do Estado que adotou como seu no começo dos 1960. Um dos seus amores, além do Centro de Educação João Paulo II, era a Academia Paranaense de Letras (APL), da qual era membro.
Na vida pública, sua grande marca foi o governo Jayme Canet Junior, do qual foi o “primus inter pares”.
José Eduardo de Andrade Vieira era um homem prático, pragmático, visionário. Embora tivesse tido parte de sua educação nos Estados Unidos, não era um intelectual. Era o homem da ação no Bamerindus, depois como ministro de Indústria & Comércio e, por fim, como dono do jornal Folha de Londrina e fazendeiro, áreas em que se notabilizou.
Senador pelo Paraná, José Eduardo de Andrade Vieira fez de seu mandato centrar-se na defesa da economia paranaense.
