
Obrigatória leitura de quem entender a formação do Brasil a partir de sua gente, o livro 2 História da Gente Brasileira de Mary Del Priore (República) faz uma preciosa abordagem da questão. Indica que sempre sobraram homens escravos, pois a maioria das mulheres escravas ia para países do Oriente árabe, onde eram feitas concubinas, ou, por vezes, casavam com seus senhores. Quando alforriados, miscigenavam-se, sempre que possível.
No Brasil, o fator mestiçagem poderia – em parte – até ser explicado pela presença de negros alforriados que acabaram fazendo fortuna. E também pela procura que ocorria de mulatos para casamento por parte de famílias brancas.
BARÃO DE GUARACIABA
Um dos bons exemplos citados pela historiadora sobre o sucesso empresarial e social dos mulatos foi o do de Francisco Paula de Almeida, primeiro e único barão de Guaraciaba, nascido em 1862 em Lagoa Dourada. Distinguiu-se por ser o mais bem-sucedido negro do Brasil pré-republicano. Era um milionário fazendeiro.
“O sangue negro corria nas melhores famílias”, diz Mary Del Priore, citando os ‘chamados barões de chocolate,’ como o de Guaraciaba, do Visconde de Jequitinhonha, do barão de Águas Claras…
