
A Praça do Japão, nova vítima da falta de diálogo comunidade X Prefeitura, viu as máquinas invadirem seu entorno para fazer o que o Ippuc e a Secretaria de Urbanismo garantiram que não iam fazer: pôr abaixo as pedras tradicionais de um dos cartões postais da cidade, decorado e preservado por descendentes de imigrantes japoneses que aqui aportaram.
DOBRADIÇA NAS VÉRTEBRAS
Não adiantou protesto. Mesmo porque o Ministério Público do Paraná que deveria falar pelo povo, para o povo e em nome do povo, na hora H (aquela em que costuma instalar dobradiças nas vértebras para a mesura ao alcaide) desincumbiu-se da missão com horrorosa elegância.
TRANSPARÊNCIA, POIS SIM
Disse a promotora de Justiça de Habitação e Urbanismo, Aline Bahr, na Gazeta do Povo: “Imagino (sic) que o prefeito deve conhecer o teor das leis e sabe que deveria passar à população uma transparência maior”.
‘SIC SIC SIC’
Mais adiante, capitulou: “Se discutirmos, conseguiremos aceitar melhor a obra (sic) e nos sentirmos coautores (sic) de um projeto bonito (sic) para Curitiba, pois todos amamos a cidade (sic) e queremos o melhor para ela (sic)”.
Poderíamos esperar desempenho menos rococó da procuradora de justiça. Suas declarações ao jornal mostram uma autoridade pisando em ovos, pouco se incomodando com a lógica da oração.
PRAÇA FATIADA
Recordando:
Em menos de um mês, o Ministério Público do Paraná rasgou a iniciativa que permeava o pedido de informações e, posteriormente, a promoção de uma audiência pública com os moradores, para fazer vista grossa ao projeto da Prefeitura que prometia (e fez cumprir) o fatiamento da Praça do Japão.
A EXPLICAÇÃO JÁ VAI TARDE
Na quinta-feira (1º de março), enquanto o MP convocava uma coletiva de imprensa, as máquinas trabalhavam no espaço público e a prefeitura já dava a obra por concluída.
No mesmo dia, provocado pelo Ministério Público, um juiz de primeira instância exigiu uma explicação da prefeitura em um prazo de 72 horas. O MP, sempre “agindo em nome do povo”, pediu que o prazo fosse reduzido para 24 horas.
Mas era tarde demais. Agora mesmo, em que pese a chuva que alquebrou a capital e a deixou submersa, salvou-se a obra da Praça do Japão em seu entorno subtraído.
SÓ “MADAMES DO BATEL”
Alheio aos protestos e a um abaixo-assinado que reuniu cerca de 30 mil subscrições, o prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo saiu-se com a afirmação, nada educada, de que só as “madames da Praça do Japão” estavam contra o projeto. Leia-se “madames do Batel”.
MORAL DA HISTÓRIA
Seria injusto incluir a promotora Aline Bilek Bahr entre os moradores do bairro dado como nobre pelo senso comum. De qualquer forma, fica a lição, que é quase uma moral da história: “Falar em nome do povo é só um eufemismo para dizer Ministério Público do Paraná com salário nababesco e direito ao auxílio-moradia”.
Povo, ora, quem se importa?
