
Reportagem de 2007 de “O Estado de S. Paulo” já pintava Requião como “amigo de graça” de Lula. Coincidência ou não, no mesmo ano, o hoje presidiário Sérgio Cabral definia o então presidente da República como seu “amigo de infância”. Coisa que obviamente nunca foi, mas o clima era esse de cordialidade e folguedo.
SOVIETE DOS JARDINS
Requião agora surge como o vice de Lula na chapa presidencial de 2018.
Não mais Luiz Marinho ou Fernando Haddad, este dono de capilaridade eleitoral que não excede a região ‘soviética’ dos Jardins. Aquele, porque não ia além do ABC paulista. Requião, sim, tem os predicados culinários que Lula tem apreciado em sua cozinha política. Fosse um filme e Lula estaria para Michael Corleone assim como Requião para Luca Brasi.

ENTORTA-DEDOS
São irmãos gêmeos nos ideais bolivarianos e no controle da imprensa. Em seu habitat natural, o palanque, Lula gosta de disparar ataques à mídia.
Requião prefere o corpo a corpo, o embate físico, o entorta-dedos. Ai de ti, gravadorzinho.
PRATO DE MAMONA
Com Requião na condição de vice, Lula ganha o centurião que nunca teve.
Pronto, inclusive, a provar a comida do rei, ainda que o prato seja mamona. O senador do Paraná sempre acalentou um sonho: queria ser o Chávez brasileiro. Se Lula, for eleito será o Maduro. Antes tarde do que morto.
JAQUETÃO AZUL
Requião quer instituir o jaquetão azul nas cerimônias oficiais. Lula cansou de ser petista. Ora em diante, será lulista.
BOM DIA PARA CAVALOS
Se Bolsonaro achou que estava sozinho, eis o ex-governador do Paraná pronto a desafiá-lo. Sempre no estilo “deixa que eu chuto”. Ambos são dois lados da mesma moeda. Falam grosso, batem duro e cumprimentam cavalos. Requião, aliás, adora uma estrebaria. Inclusive a da Sorbonne.
Não, não é daqueles que saem por aí dizendo preferir o cheiro do cavalo ao do povo, como fez o finado João Baptista. Mas suas cavalgaduras ganharam fama em sua última passagem pela Granja Canguiri. Aquela que transformou em residência oficial com pendura no erário.
VELHO TACAPE
Lula queria ver Gleisi Hoffmann na vice. Contudo, como ela também anda embaraçada no intrincado novelo sem fim da Lava-Jato, o ex-presidente achou mais conveniente dividir o espaço exíguo de sua sombra política com o velho tacape do MDB de guerra.
AO PÓ RETORNARÁ
Alvíssaras ao Paraná: dois de seus senadores podem disputar os cargos públicos de maior relevância do país: o de presidente, com Alvaro Dias (Podemos) e o de vice com Requião (PMDB). Se Lula for condenado em segunda instância no TRF da 4ª Requião em 24 de janeiro, o peemedebista ao pó retornará. Mas não sem antes solidarizar-se ao “amigo de graça”, a quem certamente definirá como um prisioneiro político, vítima de um golpe, injustiçado das gentes, retirado do pleito porque combateu o poderoso capitalismo, a Rede Globo e a elite desse país paupérrimo. Não necessariamente nessa ordem.
