
Pertenço à geração de pouco brasileiros aqui de Curitiba que conheceu pessoalmente o percussionista Airto Moreira, anos 1960. E o conheci aqui, naquela casa que foi solo sagrado por onde passaram, e lá gastaram muitas noites e dias, alguns monstros da MPB, do jazz, do rock, da música clássica também.
Era a casa de Aramis Millarch, na Rua Visconde do Rio Branco, onde hoje existe um prédio, do qual seu filho, Francisco Millarch, dirige uma multinacional de locação de veículos.
Tenho receio de mentir, mas acho que foi mais de uma vez que estive com Airto, depois, nos anos 1970, na casa de Aramis e Marilena Millarch.
TUDO DE IMPROVISO
Marilena era anfitriã notavelmente paciente diante do desfile de convidados (famosos ou não) que o marido lhe apresentava, de improviso, e para os quais ela, sem reclamar, providenciava refeições e Aramis, o melhor uísque. De dia ou de noite. Por vezes, dia e noite.

MAYSA, CHICO BUARQUE
Nesse desfilar de celebridades, não houve quem, sendo importante, na MPB, não tivesse frequentado a casa de Millarch, um compulsivo cronista da música popular brasileira e do jazz, sobretudo. Cauby, Maysa Matarazzo, Chico Buarque, Zimbo Trio…
VINICIUS E TOQUINHO
Vinicius e Toquinho por lá passaram muitas vezes. Numa delas vieram a Curitiba para um feito histórico que Jaime Lerner promoveria em 1972.
Era a inauguração do Teatro do Paiol.
Eu assisti ao espetáculo histórico com comodidade naquelas cadeiras que são hoje um “perigo” para minha terceira idade. Eu era conselheiro, membro do primeiro conselho da Fundação Cultural de Curitiba escolhida por Lerner.
NO ESTADÃO
Nesta semana, não me surpreendi com as duas páginas que o Caderno 2 do Estadão deu ao percussionista Airto Moreira, catarinense criado em Guarapuava, com algumas passagens profissionais iniciais em Curitiba.
Afinal, ele é há muito um astro mundial da percussão.
ACERTOU NA MOSCA
Há anos sei que Aramis acertara na mosca, desde os 1960: dizia que Airto se tornaria uma preciosidade na percussão e teria mesmo de desfrutar de espaços privilegiados, como desfruta nos Estados Unidos, com companheiros de espetáculos e discos Milles Davis e Dizzie Gillespy, entre outros nomes icônicos.
GRANDE NOTÍCIA
A grande notícia do Estadão está aí mesmo: Moreira vem para lançar “Aluê”, seu primeiro disco gravado no Brasil. O lançamento será registrado por quatro shows no SESC 24 de Maio, SP, de 7 a 10 de dezembro. E também dia 17 no SESC Registro; antes no Rio, e Ribeirão Preto.
RETORNO A CURITIBA
O que sei é que há pouco tempo o músico chegou até a pensar em deixar os States, comprar uma casa na Serra do Mar, viver também em Curitiba.
Até que um o amigo o dissuadiu com esta pergunta: “Quantos amigos de verdade você tem no Brasil?”
