quarta-feira, 6 maio, 2026
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Afinal, quem vai definir o púlpito político evangélico?

Dilma Rousseff e Silas Malafaia

Os grandes líderes estarão com Bolsonaro ou Lula? Os “desigrejados” e as igrejas históricas, para onde marcham?

 

Os estudiosos do fenômeno religioso no Brasil, que examinam as religiões, crenças e seitas pela ótica da Ciência Social,  devem estar diante de uma sinuca de bico, em face  do “leilão” ao qual igrejas parecem se submeter para atender ao candidatos mais fortes à Presidência.

A grande dúvida de agora, posta pela imprensa e examinada com cuidado pelos cientistas sociais, é saber se os poderosos líderes – como Silas Malafaia, bispo Ferreira, Edir Macedo, Rodovalho, Valdemiro, Hernandez , Cezinha do Madureira – têm ou não o controle do voto crente.

Ou se o crente vota de forma autônoma, sem obediência aos líderes.

Lula teve no ano passado o muito fotografado encontro com o bispo Ferreira, pai de Cezinha, o todo  poderoso da Assembleia de Deus Ministério Madureira. Cezinha, que insiste em comandar  a Frente Parlamentar Evangélica no Congresso, desmente possível adesão de seu pai e do Mudureira a Lula.
Garante que ele e seu povo estão com Bolsonaro, e que aquele encontro com o ex-presidente foi  “apenas de cortesia”.

Aliás, não há o que reprovar os cliques fotográficos de petistas com os evangélicos. Afinal, eles estiveram juntos nos dois governos de Lula e nos dois de Dilma Roussef.

CAMINHADA COM O PT

A caminhada com os petistas   foi muito além de lances jornalísticos, incluiu frequentes visitas de pastores ao gabinete presidencial para orações e bênçãos a  mancheias cheias… e benesses distribuídas às igrejas.

Dessa aliança não esteve fora nem o mais importante deles, o bispo e empresário de comunicação Edir Macedo, o comandante da IURD. Hoje Bolsonaro – que ainda se diz católico, embora tenha sido batizado no Rio Jordão por um pastor, dono do PSC – , parece ter o controle  de parte do voto evangélico, povo que hoje significa pelo menos 30% dos brasileiros.

Mas a realidade pode ser outra porque há de se considerar os evangélicos “desigrejados” e os do protestantismo histórico (metodistas, luteranos, batistas, presbiterianos, parte de uma classe média expressiva)., com “voo próprio”. Além desses, há ainda grupos evangélicos mais à esquerda, gente que flerta muito com o PSOL e PT, independente de lideranças de  petistas crentes como Benedita da Silva.

Roberto Jefferson e Wilson Witzel

Assim caminha a História do País, muitos anos depois da proclamação da República (1889) que sob a influência positivista decretou a separação do estado e da Igreja. Uma separação que não foi realidade nos governos que foram começando no século 20,  e  consolidaram alianças com a igreja Católica (como Getúlio).

No período ditatorial, de 1964 a 1986, a CNBB, conferência dos bispos católicos,uniu-se a forças da sociedade, como a OAB, para a defesa de temas centrais, como Direitos. Saiu-se bem, teve apoio do país. Naqueles dias a Igreja Católica representava quase 90% da população do país.

Hoje há uma corrida à chamada conversão a igrejas evangélicas por parte de políticos. Disso são ótimos exemplos Jefferson Cesar (PTB) e o ex-governador Wilson Witzel, que, enrolados com a lei, ano passados, anunciaram estar “aceitando Jesus”. Em busca do tempo perdido…

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