sexta-feira, 19 junho, 2026
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Adriana Chiarelli lança curso de Música com método inovador

Por Dinah Ribas Pinheiro – Adriana Chiarelli, a menina prodígio que começou a estudar piano aos oito anos, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, é hoje, autora de um método inovador para o estudo da música. Seus alunos são estudantes de diversos instrumentos — alguns já com alguma experiência em instituições públicas ou privadas e aqueles sem nenhuma experiência no estudo da música. Instrumentistas das cordas, metais, teclados, sopros recebem uma espécie de reconversão na hora de utilizar as ferramentas que a mestra apresenta para a gravação de um disco, ensaio de orquestra, concertos e apresentações solo.

Músicos, atores e bailarinos também se candidatam para as suas aulas. O mais singular da técnica empregada por ela é que cada aluno ou grupo recebe um cuidado particular. “O início de tudo é observar como está a percepção da pessoa , temos que partir do silêncio absoluto” relata Adriana, “para depois entender a sua musicalidade”. Além das aulas todos podem fazer um trabalho individual sob sua mentoria. O método que recebeu o nome de MACh (Método Adriana Chiarelli) existe há 26 anos e é como se fosse o crossfit do som.

O começo de tudo

Ainda na Belas, a criança foi uma revelação. Os professores quando perceberam o seu talento pediam que ministrasse aulas de reforço para os colegas, no que ela se saia muito bem. Com a perda da mãe, aos 11 anos, uma vizinha de 30, “chamada Maria e que falava espanhol”, bateu na casa dos seus pais e pediu para ser sua aluna de piano. Adriana mostrou espanto, afinal como ela iria ensinar alguém 2O anos mais velha que ela?

Adriana em seu estudio

A primeira ideia que lhe veio à cabeça foi que a moça da casa geminada, com sotaque latino, penalizada com a sua orfandade queria lhe fazer companhia. Não era só isso, a insistência continuou, a professorinha deu conta do recado e o resultado foi surpreendente. Nunca mais ela soube da Maria. E nunca mais parou de dar aulas. “O segundo pupilo, bem mais novo, eu o considero o meu grande laboratório para criação do método que hoje desenvolvo. O primeiro passo foi ele repetir os sons da música que tocava. Havia ausência total de afinação. Fui então pro piano e o fiz ouvir o som que ele tinha feito”. A partir daí ela utilizou a desafinação em próprio benefício do aluno.

Segundo Adriana, o começo de tudo se revela com a voz. “O solfejo é a fórmula mais eficaz para esse aprendizado. A compreensão deste movimento primordial provoca um efeito quase mágico, como se um fio invisível entrasse no próprio ser ativando as cordas internas da sensibilidade, forma-se então um ciclo de cantar (as notas), ouvir, tocar, e a partir daí se estabelece um pensamento racional.”

Além do bacharelado em piano, Adriana revela que sua segunda Escola foi cantar e tocar nos corais da Igreja Batista. “Aqueles sons entravam na minha alma e ressoam até hoje”. Na pandemia, após participar do Edital Aldir Blanc, lançado pelo Ministério da Cultura, recebeu o título de Mestre, pelo reconhecimento de carreira. A partir de julho, o MACh pode ser acessado no sistema on-line, pela plataforma Hotmart, o que, com certeza, vai atingir um maior número de interessados. O curso, gravado pela própria criadora do método inclui pilares onde o aluno vivencia os fundamentos da Música (solfejo, percepção auditiva, leitura, improvisação, composição e teoria) até a História da Música.

Arcádia

Adriana revela que quando a Arcádia nasceu em 1997 idealizada e administrada por ela e seu marido, João Nei de Almeida Barbosa, a ideia foi transformar aquele espaço localizado na Rua 13 de Maio, 601, num local aconchegante com livros, LPs, CDs e DVDs. O café e todo o cardápio são feitos pela dupla. O sebo se tornou logo um ponto de encontro de intelectuais, acadêmicos e estudantes. O nome, originário da antiga Grécia  representa na literatura e na mitologia, um lugar imaginário onde pastores viviam em paz em harmonia com a natureza e simplicidade. O termo também derivou para um movimento literário, o Arcadismo. Foi com essa aura mítica que o casal instalou , onde a mestra sonhava em trocar, temporariamente, as suas aulas, pelo balcão, e desfrutar de uma pausa na sua rotina de professora e musicista.

No início da Arcádia, aconteciam no andar superior cursos de Artes Plásticas, Música, Literatura, Teatro e Dança coordenados pela titular do espaço. Foi nessa época que Adriana iniciou o curso de Música, após outra professora do espaço, Daniella Gramani (hoje vivendo no Canadá) não pôde dar continuidade à turma em curso. “Eu precisei assumir o grupo ajustando com ele a nova metodologia. Naquele momento a chama acendeu novamente, concluí que a música era a minha essência e não parei mais”.

Quando desenvolvia sua dissertação de mestrado em música, na USP, Cristiane Otutumi, hoje professora na Embap conheceu o trabalho de Adriana e ficou totalmente tocada pela inovação. E se referiu a ele da seguinte forma: “Como um método empregado fora das paredes da Universidade pode ser tão eficaz?” Chiarelli explica que a fórmula começa a surtir efeito quando a mesma pessoa aplica a mesma técnica em todas as matérias do curso, a saber: Solfejo, Teoria Musical, Percepção Auditiva, Improvisação, Harmonia, Leitura Musical e História da Música. Instala-se no cérebro uma linha direta de assimilação.

Um exemplo de sucesso da aplicação em mentorias foi o caso do grupo vocal curitibano As Noivas do Allfredo, quando foi gravar o primeiro disco em São Paulo, com composições à capela de José Eduardo Gramani, para a preparação do repertório. “Apliquei diversos fundamentos do MACh para obter o melhor resultado no menor espaço de tempo. Dentre as técnicas de trabalho que adoto, está a leitura no sentido retrógrado, uma verdadeira revolução na compreensão do músico. Literalmente isso significa inverter o sentido das notas e construir uma nova música”, completa Chiarelli. Quando isso acontece, outros reflexos são ativados, o corpo recebe uma reeducação cognitiva e motora”, completa.

Essa técnica foi aplicada a muitos outros músicos de diferentes instrumentos, sempre com resultados excepcionais.

Opinião dos alunos

“Adriana fez e faz toda a diferença na minha trajetória musical, em primeiro lugar pelo enorme incentivo que ela me ofereceu, apesar do fato de ter começado a estudar música mais tarde, depois dos 20 anos”. Annanda Samarine (Cantora, atriz, professora).

“Quando entrei no curso eu não sabia literalmente NADA sobre leitura musical e linguagem musical, e foi nesse curso que aprendi o que foi mais essencial na minha carreira musical. Gratidão eterna”. Gabriel Correa (Regente).

“Ela ensina através do exemplo como uma mestra, que traz a ancestralidade do estudo musical na sua essência, ao mesmo tempo que vem uma potência dessa ancestralidade pelo estudo e pela prática. Há uma renovação constante — é um convite à presença”. Márcio Juliano (Ator, diretor, cantor).

“Pra mim foi um divisor de águas. Aprendi nesse processo a ter um respeito muito maior pela arte e pela música. A ter uma dedicação correspondente àquilo que a música e a arte oferecem… e a encontrar essa relação de intimidade e consciência”. Janaína Fellini (Cantora, compositora e professora).

“Ela me fez ver a música de uma maneira completamente nova. Reúne dois universos muito profundos: a música, que ela ama e conhece com integridade, e a humanidade. Funde esses dois universos e alcança um resultado incrível, com uma didática ímpar.” Iria Braga (Cantora, atriz e professora).

*Dinah Ribas Pinheiro é jornalista e escritora, especialista em Jornalismo Cultural. Trabalhou por duas décadas na Assessoria de Imprensa da Fundação Cultural de Curitiba. Exerceu a mesma função na Escola do Teatro Bolshoi em Joinville. Assessora de Comunicação no BRDE e no espaço cultural do Palacete dos Leões. É autora dos livros “A Viagem de Efigênia Rolim” nas Asas do Peixe Voador e “Teatro de Bonecos Dadá-Memória e Resistência”.

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