
No dia 23 de setembro, a Academia Paranaense de Letras, APL, receberá em Curitiba representantes de, pelo menos, 25 academias estaduais de letras existentes no Estado.
Boa parte delas foi criada por incentivo de Túlio Vargas, quando ele presidiu a APL.
O encontro será uma boa oportunidade para que alguns dos chamados ‘imortais’ de todos os quadrantes do Estado expressem, em debates, se estão contentes com o atual modelo de academias, quase todas marcadas pelo que chamo de ‘espírito beletrista’. Ou se querem cerrar fileiras com alas já visíveis na APL, por exemplo, cujas intenções são claras: promover uma renovação no atual modelo de centro acadêmico.
Para alguns desse grupo de “renovadores” que ouvi – e que me pedem mantenha-os no anonimato – “a ideia é que as academias sejam grandes centros referenciais de cultura, abrigando homens e mulheres de diversas áreas do conhecimento. Incluindo intelectuais de todos os matizes, homens e mulheres notáveis na sociedade abrangente.
– Que tal imaginarmos uma espécie de Collège de France, um centro de cultural que não é academia como a conhecemos, nem escola? Promove cursos sem se oferecer diplomas oficiais.
A pergunta, instigante, me é feita por um desses “renovadores” da APL.
Mas eu me indago: o chamado “espírito de sodalício” não insistirá em prevalecer, até tomando como modelo a Academia Brasileira de Letras e a Academia Francesa?
Se ampliar sua área de abrangência para além das letras (como de certa forma já vem fazendo, timidamente), a APL nem por isso ficará distante da proposta da “glória que fica”. Aquela glória que a casa de Machado de Assis cita em suas paredes, no majestoso casarão da Rua Presidente Wilson, no Rio.
COM LAURENTINO
De qualquer forma, à parte discussões sobre o futuro das academias, anote-se: no encontro do dia 23 de setembro, Laurentino Gomes, acadêmico da APL que encarna parte desse espírito de renovação, virá especialmente de Portugal para falar aos “imortais”. Espera-se que na sua palestra Laurentino traga palavras de renovação.
Laurentino poderá trazer informações preciosas sobre a pesquisa que faz em Lisboa, sobre a escravidão no Brasil, tema de sua próxima obra.
