terça-feira, 26 maio, 2026
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Nova peça da companhia brasileira de teatro faz estreia nacional

Assessoria – A importância da relação entre memória coletiva e memória íntima na construção de uma trajetória histórica de um país chamado Brasil é um dos pontos de partida para a pesquisa e criação da peça “História”, que estreia em 6 de junho no Teatro Guairinha, em Curitiba. Com texto e direção de Marcio Abreu, e criação e produção da companhia brasileira de teatro, o espetáculo criado coletivamente em salas de ensaios, tem em cena a atriz Carolina Virgüez, o ator Rafael Bacelar e o músico Felipe Storino. Os ingressos já estão à venda no DiskIngressos. Preços: R$ 33,90 (meia) e R$ 67,80 (inteira).

“História” é apresentado pela Petrobras e pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet e do Governo do Brasil, e está inserido em um projeto mais amplo, de manutenção da companhia brasileira de teatro, um dos mais importantes e reconhecidos coletivos das artes cênicas do país, que se estrutura em três eixos principais de atividades, realizadas ao longo do período de um ano (agosto/2025-julho/2026).

A ideia do espetáculo surgiu de uma consciência que foi se formando de um trabalho a outro da companhia, no curso de uma pesquisa em longo prazo que tem erupções em diversas obras de Marcio Abreu. Desde PROJETO bRASIL, peça de 2014 criada a partir de estudos sobre discursos públicos e de olhares diversos para a História do país e seus dilemas, passando por Preto, de 2017, obra emblemática e que se inscreve na curva histórica, antecipando discussões que logo ganhariam mais amplitude na sociedade sobre imagem social, coexistência de diferenças, a síncope como linguagem e a nossa melhor ancestralidade advinda das raízes africanas. Culminando em Sem Palavras, peça de 2021 que materializa em sua dramaturgia as narrativas que costumeiramente não tem lugar na História e que se torna corpo-livro.

Já em AO VIVO [dentro da cabeça de alguém], de 2024; e Sonho Elétrico, de 2025, a companhia apresenta peças que se voltam mais radicalmente para a investigação das relações possíveis entre memória íntima e memória coletiva. Nas duas peças, de diferentes maneiras, há o exercício de pensar os territórios dos sonhos, dos imaginários e das memórias como dimensões da vida e as suas capacidades perceptivas e de ação no mundo. Em ambas as peças, o público é convidado a entrar na cabeça de uma artista, uma personagem ficcional, acessar aos recônditos de sua memória, e percorrer um percurso quase fotográfico na História de uma geração e de um Brasil, percebido através de múltiplas vozes e corpos, ampliando a perspectiva do ser na dimensão do sonho manifesto como ação no mundo, agora.

“Escrevi e encenei essas peças, igualmente imantado pela presença de cada artista que ocupa a cena. Cada corpo que está ali presente é em si e antes de tudo um conjunto de narrativas. Cada corpo é escrito. É História. E a questão mais importante que se impõe como desafio de linguagem é como fazer reverberar essas presenças, mesmo em construções ficcionais. A ficção me parece, nessa pesquisa e no tempo histórico que vivemos, um fundamental elemento para tornar Memória e História perceptíveis no acontecimento artístico”, afirma Marcio Abreu.

Historia – Foto Ethel Braga

A peça que estreia agora, em 2026, “História”, segue essa pesquisa e reafirma a qualidade mutável da História, essa ciência que investiga e analisa as ações, transformações e permanências nas sociedades humanas ao longo do tempo, criando uma obra no Teatro hoje, que contemple múltiplas narrativas escritas e orais, arquivos, objetos e imagens que se compõem e recompõem, as paisagens individuais e coletivas da vida e da memória. A peça também busca compreender o presente, utilizando fontes como relatos, fotos, histórias, memórias, canções, vestígios, lacunas para reconstruir e repensar as experiências.

A nova peça da companhia, “História”, é também uma insurgência, uma ressignificação de sentidos e um ato de partilha, já que busca iluminar e atuar no campo de disputas urgentes de narrativas que ficaram e ficam sistematicamente de fora da chamada “História oficial”. Esta pode determinar a vida e o destino de indivíduos e de comunidades. Mas indivíduos e comunidades podem, provavelmente, deixar marcas na História através de seus atos e movimentos. A História habitualmente aceita como tal é aquela registada de forma escrita e baseada em princípios e modelos teóricos assimilados com o tempo e de acordo com as hierarquias do pensamento formal. Mas, certamente, a História está antes e além da chamada História oficial. De múltiplas narrativas se faz a História que nos inclui e da qual queremos fazer parte. São as pessoas e os coletivos humanos que fazem a História.

A peça é especialmente atravessada pela encruzilhada do nosso tempo, e chama para a urgência de ocupar a História no calor do momento, uma ação de construção no presente, de criar memória no presente, curvando-se para o passado e para o futuro num só giro espiral, como define poética e filosoficamente a nossa mestra maior Leda Maria Martins. A esse chamado, nós artistas precisamos atender. Se não fizermos a História, seremos feitos por ela. É esta a divisa. Não há outra.

É uma peça sobre estar vivo agora. É uma espécie de ensaio sobre vivências no tempo, sobre como colocar tempos múltiplos em relação, no presente, uma ação concreta de construção no presente e no Teatro. Em cena, os tempos – histórico, subjetivo, futuro e da memória – estão todos em convivência.

“História” é uma pesquisa, criação e produção dos membros da companhia brasileira de teatro: Marcio Abreu, Nadja Naira, Cássia Damasceno e José Maria. Com uma equipe diversa de multiartistas e parceiros da companhia, conta com as colaborações criativas e dramatúrgicas de toda equipe: Key Sawao, bailarina e artista da cena e que assina a direção de movimento da peça; trilha sonora original e direção musical do multi-instrumentista e compositor Felipe Storino que também está em cena; assistência de dramaturgia da artista da cena Idylla Silmarovi; figurinos do estilista e criador Luiz Cláudio Silva e seu Apartamento 03; e cenografia do arquiteto, designer e artista Marcelo Alvarenga | Play Arquitetura. Foi ainda atravessada e contaminada por toda experiência deste Projeto maior, em especial das três residências Voo Livre e todos e todas as artistas, especialistas, pensadores e colaboradores que atuaram nessa experiência maior.

SERVIÇO: “História” – nova peça da companhia brasileira de teatro

  • Apresentações: dias 6, 7 e de 10 a 14 de junho de 2026
  • Horários: quarta a sábado, às 20h | domingos, às 16h e 20h
  • Local: Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha)
  • Duração: 90 minutos
  • Classificação: 18 anos
  • Ingressos: R$ 33,90 (meia) e R$ 67,80 (inteira).
  • Vendas
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