
Como alguém deve encarar o encontro e, em seguida, a súbita convivência diária, por quase dois anos, com o grande herói de sua infância? A resposta não é fácil. A princípio, pode ser “chocante”, como se depreende do relato de Sílvio Barros, ex-prefeito de Maringá e secretário de Planejamento do Paraná, que viveu uma dessas situações inusitadas.
Nesse caso, o personagem herói foi o ambientalista e oceanógrafo francês Jacques Cousteau, cujas aventuras, com o iate Calypso, em busca do mundo maravilhoso e escondido das águas de mares e rios alimentaram sonhos e anos da vida do menino; e, depois, do adolescente, um espírito embalado pelo desafio de descobertas na Natureza.
Até por isso, e sendo observador inveterado da vida dos animais, na hora do vestibular quis concorrer a uma vaga de Biologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM), uma das mais consideradas pelos rankings de qualidade do país.
– Biólogo? Você então vai cuidar do bicho dos outros. Não dos seus…
A observação, com tom de veto, veio do pai, Silvio Barros, um homem severo, objetivo, pragmático e que tinha por princípio, quase dogma, a máxima: “Os filhos devem superar os pais para melhor”.
2 – COM COUSTEAU

Forte na defesa de suas convicções intelectuais e de suas crenças transcendentais, Silvio não fugiu da vocação primeira (o interesse pela natureza) e foi dando voltas em busca de uma boa formação profissional, ampliando a universitária.
Dos primeiros passos foi a aprovação em concurso do então BADEP (Banco de Desenvolvimento Econômico do Paraná), num rigoroso concurso para especialista em análise de projetos. Isso sem jamais perder de mira sua atração pelos bichos, aquelas criaturas que desde a sua infância foram preenchendo o imaginário de Silvio, a partir de leituras básicas, focando numa realidade também religiosa que o acompanha desde criança: os animais são essenciais na Natureza, a serviço do homem, no “Projeto do Criador”.
Está no Gênesis, costuma lembrar.
A vida de Barros não pode ser resumida com facilidade – “daria um fantástico livro”, assegura-me o jornalista Ricardo Caldas, uma das pessoas que mais conhecem a vida e a obra dos irmãos Barros (Ricardo e Silvio) e de Cida Borghetti.
Eu vou mais longe: tenho certeza de que as aventuras de Silvio, ao lado de seu herói, Jacques Cousteau, de 1982/83, podem gerar um filme fantástico.
Alguém se habilita?
3 – HOMEM MAIS FORTE
Não há gran finale no perfil desse homem que guarda, como sintoma de sabedoria, certo ar interiorano no falar e na simplicidade com que resume seu ideário de gestão pública.
Nunca teve pretensões acadêmicas. Vê-se apenas como um gestor público. Mas absolutamente comprometido com linhas mestras, a mais segura delas as suas crenças lastreadas num cristianismo de resultados, desde que obediente ao Criador. E do qual jamais se afastou, mesmo na convivência, e prestando consultoria a personagens do mundo dos notáveis, como Bill Gates e Melinda Gates, Tom Cruise, Malcom Forbes…
Enfim, eu me socorro de uma de minhas referências mais constantes, o sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) para classificar esse Silvio Barros, e a preciosidade que foi conhecê-lo, classificando-o, antes e acima de tudo, como “o fiel”.
Quero com isso dizer: ele não é apenas aquele que testemunhou verdades desconhecidas para o infiel.
É, especialmente, um “homem mais forte”. Por que é um homem de fé.
(Trechos do perfil de Silvio Barros II retirados do volume 8 do livro VOZES DO PARANÁ).
