terça-feira, 21 abril, 2026
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Com Gremski, “universidade tem de abrir-se ao mundo”

Waldemiro Gremski
Waldemiro Gremski

Quando em 2008 lancei no Palacete dos Leão (BRDE), em Curitiba, o primeiro volume do meu livro ‘Vozes do Paraná- Retratos de Paranaenses’, com ele comecei também a registrar uma série de nomes de alta contribuição à vida do Paraná. Muitos deles, no entanto, com pouca exposição pública, o que o livro queria de alguma forma compensar.

Um dos perfilados enquadrados nessa situação foi o professor doutor Waldemiro Gremski, então já um educador de enorme contribuição à Ciência e ao Paraná, de modo especial. E que havia passado por uma posição de relevo no MEC e várias do mesmo porte na UFPR.

GREMSKI (2)

Tito Zeglin
Tito Zeglin

Com o perfil de Gremski, hoje reitor da PUCPR – e que amanhã, quarta, 22, recebe o título de Cidadão Honorário de Curitiba, na Câmara Municipal – escrevi uma das mais fascinantes histórias de ‘Vozes do Paraná’.

Impossível ficar-se alheio à sua história de vida em que contam até perseguições dos órgãos de segurança contra esse cientista a quem acusaram até de ser “subversivo”. E que por anos não pôde viajar para o exterior por conta de um suposto “perigo” que representaria contra a ordem constituída.

Graças, a ciência venceu e Gremski pôde doutorar-se em grandes centros da Europa e Estados Unidos.

Além do conhecimento científico revelado pelo hoje reitor da PUCPR, o perfil do livro mostrou a trajetória surpreendente de um menino da área rural, filho de pequeno agricultor da localidade de Serrinha, distrito de Contenda.

Nasceu num lar de agricultores que já tinham trator, raridade para aqueles dias. Era uma família com marcas definitivas da imigração polonesa no Paraná: até boa parte de sua meninice, Waldemiro só falava em polonês em casa e aprendido na escola.

Acho que mesmo a missa o menino acompanhava na língua de seus ancestrais.

GREMSKI (3)

A sua inserção no mundo amplo deu-se quando foi matriculado no seminário da Congregação dos padres Vicentinos (ou lazaristas e também conhecidos como da Congregação da Missão), em Araucária. Seria uma vocação para o sacerdócio? Com certeza, a ida para aquele atendeu a uma maneira de o garoto ter educação de qualidade e contemplar seu espírito religioso, um tanto místico.

O grande salto de qualidade Waldemiro ocorreu no chamado Seminário Maior dos Vicentinos, em Curitiba, no qual foi aluno de mestres consumados que lhe abriram “a cabeça” para as ciências humanas e, de alguma forma, para as ciências biológicas, as quais depois seguiria na antiga Universidade Católica do Paraná.

Fez-se doutor em Biologia e pós doutor também, em instituições como o Karolinska, de Estocolmo. O câncer foi uma das áreas em que mais pesquisou e trabalhou para suas teses apresentadas na Europa, Brasil e Estados Unidos. A produção científica de Waldemiro pode ser conferida pelos canais à disposição dos acadêmicos.

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Acredito que depois da passagem do irmão Clemente Ivo Juliatto pela Reitoria da PUCPR, nada foi mais justo que a escolha do professor Gremski para dirigir essa instituição que se insere entre as poucas privadas de grande qualidade no Brasil. Dentre as PUCs, está mais ou menos ao lado das do RS e São Paulo; todas abaixo, é claro, da PUCRJ, um celeiro de valores, internacionalizada, com reconhecimento geral.

Waldemiro Gremski, a boa escolha da Congregação dos Irmãos Maristas, faz parte há anos da direção do Instituto Ciência e Fé de Curitiba (‘Fidelis et Constans’), fundado em 1995.

A ele chegou pelas mãos dos professores Newton Freire Maia (in memoriam) e Eleidi Freire Maia. E sua contribuição ao Instituto tem sido muito importante desde então. Divide sua sabedoria na instituição com notáveis como o hoje bispo dom Ricardo Hoepers, Cícero Urban, Raul Anselmi Jr., Hélio Puglielli, Antonio Carlos da Costa Coelho, dentre outros.

Para a comunidade educacional brasileira, a presença de Gremski na Reitoria da PUCPR é certeza de que a universidade paranaense está dando um salto de qualidade.

A pós-graduação da PUCPR já é de alto relevo. Deverá chegar ao mesmo patamar na graduação.

Waldemiro quer que ela siga o exemplo louvável da Universidade Católica do Chile, caracterizada pela valorização da inovação científica e tecnológica. No momento, a PUCPR amplia seus parques tecnológicos e, por insistência de Gremski, ela vai se internacionalizando, com a proposta da adoção de aulas no idioma inglês.

Cidadão do mundo, agora cidadão curitibano, por iniciativa de Tito Zeglin (sempre operoso vereador), Gremski insiste na internacionalização da PUCPR. E tem razão, pois ele sabe que ser monoglota não pode ser destino de uma universidade.

A “Universitas” é sinônimo de universalização por excelência.

Raul Anselmi, Eleidi Freire-Maia e Cícero de Andrade Urban.
Raul Anselmi, Eleidi Freire-Maia e Cícero de Andrade Urban.
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