
(Blog do Miguel Arcanjo – Adaptação: André Nunes)
O palhaço que salvou a cultura, o ator, diretor e gestor cultural Hugo Possolo foi secretário de Cultura da Cidade de São Paulo na gestão Bruno Covas, durante o período mais crítico da pandemia, no qual realizou um trabalho histórico. Ele também é cofundador da SP Escola de Teatro, gerida pela Adaap, e do grupo de humor e circense Parlapatões. Sua companhia está em Curitiba com três espetáculos que compõem a Mostra Lúcia Camargo: Prego na Testa, PPP@ WllmShkspr.br e Parlapatões Revisitam Angeli, todos no Teatro Sesc da Esquina.
Em coletiva de imprensa, Possolo falou sobre a celebração da retomada do teatro, dos 30 anos de presença no Festival com os Parlapatões, do trabalho desenvolvido na SP Escola de Teatro e região da Praça Roosevelt e de sua passagem pela Secretaria de Cultura paulistana e direção do Theatro Municipal de São Paulo, onde deixou uma marca de representatividade no mais emblemático palco do Brasil.
Confira a entrevista completa no link.
LIMITE DO HUMOR
“A questão do humor politicamente incorreto ou correto. Quais são os limites do humor? Dou um exemplo: se a gente fizer uma peça sobre um cara que é deficiente físico, que é muito irônico. E ele quer destruir a família e ter mais poder. Se essa peça for uma comédia, ela pode ser muito condenada. Mas, se ela for Ricardo III de William Shakespeare, e for uma tragédia, todos vão perdoar. Então, a questão não é do que se trata, mas como se trata. Essa questão do limite do humor está sendo tratada de maneira muito equivocada hoje em dia.”
WILL SMITH NO OSCAR
“O humor pode até errar e repetir formas de preconceito, mas pode também pedir desculpa. Humorista que faz piada errada, que é agressão, deveria levar “tapa na cara” no discurso. Se bem que podem existir tapas na cara quando atinge uma mulher, uma doença, em meio a uma vulnerabilidade. É significativo que isso tenha acontecido dessa forma no Oscar.”

DIVERSIDADE NO TEATRO MUNICIPAL
“Sou uma pessoa que veio de uma militância de teatro de grupo, de setor cultural, de esquerda. Quando fui convidado para o Governo do Bruno Covas que era do PSDB, tivemos uma reunião, em que foi falado: ‘Você sabe que somos de esquerda? Votávamos no PT”. Bruno respondeu que sabia, e queria justamente isso, não ser um cara de direita e, sim, de centro-esquerda. Ele dizia que estava construindo uma carreira política nessa direção. Tinha aliados que eram mais conservadores, mas não da extrema-direita. Ele bancou o projeto que a gente desenvolveu, o Alê Youssef quem trouxe, que era executar o que todos nós já vínhamos fazendo. No meu caso, no âmbito municipal, simplesmente dei continuidade ao que fazíamos na SP Escola de Teatro, com todos os grupos que são envolvidos com a formulação do espaço, do pensamento que ele gerou.”
“A SP Escola de Teatro também nos transformou como artistas. Trouxemos pessoas da periferia para uma formação, e isso nos influenciou a pensar nessas pautas afirmativas com políticas anti-racistas, pensar nas questões sexistas, LGBTQIA+, a visão feminista nas preposições. De mudanças de ânimos que de maneira contemporânea, são muitos importantes e significativas, mas precisam ter voz e espaço. A primeira coisa que fiz no Theatro Municipal foi chamar um espetáculo roteirizado, pensado e desenvolvido somente por artistas pretos. Na plateia tinham pessoas pretas que nunca haviam pisado no Municipal. Isso foi o pontapé inicial para a catarse que foi a apresentação do Emicida depois e o Prêmio Arcanjo de Cultura. O novo modernismo é a arte da periferia sendo protagonista!”.
