quarta-feira, 6 maio, 2026
HomeMemorialEmpresas "viram" escolas, tendência que deve ganhar força em 2022

Empresas “viram” escolas, tendência que deve ganhar força em 2022

Michelle de Cerjat, coordenadora de comunidade do unicórnio Ebanx. Foto: Rafael Dabul/ Divulgação

Para driblar a falta de profissionais qualificados e ainda ganhar pontos em imagem e responsabilidade social, empresas têm investido mais em capacitação e atuação nas comunidades

 

Há pelo menos cinco anos, o aumento da digitalização das economias mostrava que a demanda dessas profissões era maior que a oferta. Com a pandemia, este déficit piorou e diversas empresas têm começado a investir na educação das comunidades e setores em que atuam.

Apesar de não ter dados sobre a formação de profissionais por meio de bootcamps, dentro das empresas e edtechs, Sergio Paulo Gallindo, presidente da associação de empresas do setor Brasscom, acredita que o mercado ouviu o alerta da falta de profissionais e está investimento mais “fora de casa”.

Os diversos cursos focados na capacitação rápida de mão de obra estariam tapando parcialmente o buraco de talentos. “Vendo o desafio que já tinha o setor, na prática deveria estar colapsando”, comenta ele. “A capacitação é importante e deve continuar acelerando”.

Projetado inicialmente como um déficit de 260.000 profissionais, a Brasscom viu um aumento de empregos no setor em 2021 superior ao cálculo de 2019. Até setembro, a associação registrou 123.544 novos empregos no setor de TI. A projeção anterior da demanda para o ano era de 56.693 cargos. Para 2025, a demanda de profissionais de tecnologia deve chegar a 797.000 empregos.

Para o banco digital Nubank e o varejo Mercado Livre, houve um disparo de vagas abertas para este tipo de profissional neste ano. No banco foram mais de 700 abertas. Já no Mercado Livre foram dez vezes mais só no Brasil, cerca de 7.000 oportunidades. Para preencher isso, o Mercado Livre foi às ruas treinar as pessoas: abriu cursos de logística na região de Cajamar (SP), onde tem um centro de distribuição, e mais de 2.500 bolsas de um curso online de desenvolvimento de software.

EBANX

Em Curitiba, a fintech Ebanx tem um propósito de desenvolver o mercado de tecnologia da capital do Paraná. Por lá, as ações educativas não costumam ter uma trilha para absorção direta dentro da própria empresa. Segundo Michelle de Cerjat, coordenadora de comunidade do Ebanx, a ideia é melhorar o ecossistema. Nos programas oferecidos, a média da absorção é de apenas 15%.

“Esse tem de ser o mindset das empresas. Vamos formar não para colocar aqui dentro, mas para todo mundo. E formar pessoas que não consideram necessariamente as carreiras de tecnologia, e os negros, trans. É uma mentalidade de puxar o ecossistema. Na pandemia, a gente viu que está todo mundo conectado. Meus KPIs não são de pessoas contratadas, mas do número de pessoas impactadas”, diz.

No mês de dezembro, a empresa abriu as inscrições para um curso de programação de seis meses para pessoas com vulnerabilidade social em Curitiba. Elas vão ganhar um notebook e uma bolsa de 1.000 reais mensais.

Leia Também

Leia Também