quarta-feira, 15 abril, 2026
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A grande revolução urbana, no olhar de Julio Zaruch

Luiz Julio Zaruch
Luiz Julio Zaruch

Luiz Julio Zaruch, que será um dos personagens do volume 8 do meu livro “Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses”, é dono de um enorme acervo de informações sobre os dias de Jaime Lerner na Prefeitura de Curitiba.

Memória privilegiada, primeiro secretário de Imprensa de Lerner, em 1971, Zaruch costuma lembrar fatos que hoje podem até soar estranhos, mas que dão bem a medida de quanto aquela administração municipal levava a sério – e às últimas consequências – algumas marcas da revolução urbana promovida por JL.

PRESERVAÇÃO

Como exemplo, recorda: uma das medidas de maior impacto decretadas por Jaime foi a legislação que criou as unidades de interesses de preservação histórica. Pelo decreto do prefeito, casas e outros imóveis considerados importantes como patrimônio da cidade (como exemplo, a Casa do Barão, na Rua 13 de Maio, ex-quartel da Polícia do Exército), têm de ser preservados, não podem ser demolidos. A concessão, em alguns casos, pode ser a preservação da fachada, com a construção de novo ‘miolo’.

Fanchette Rischbieter – Maria Francisca Rischbieter – foi uma especial “olhos e ouvidos” de Lerner, juntamente com outra engenheira, Dulcía Aurichio.

“Um decreto de Lerner garantiu que 90 áreas verdes fossem preservadas para se tornarem futuros bosques e parques. Como exemplo, além dos notórios Tingui e Barigui, todos os trinta e tantos que foram implantados desde então em Curitiba”

Pois elas um dia descobriram que a casa que fora moradia (e berço) do histórico monsenhor João Falarz, no bairro de Orleans, fora simplesmente colocada abaixo por seu novo proprietário, um tipo comprometido com o lucro e nada tendo as ver com a ‘alma’ da cidade, assinala Zaruch.

Resultado: dias depois da grave infração, a casa foi reconstruída por determinação de Lerner. Fica na rua que leva o nome de Monsenhor João Falarz.

OS BOSQUES

Minucioso, quando acionado para registrar a memória daqueles dias pioneiros, o jornalista Luiz Julio Zaruch não se contém, “é preciso, diz, fazer justiça ao Jaime Lerner”, para assinalar: “Um decreto de Lerner, garantiu que 90 áreas verdes fossem preservadas para se tornarem bosques e parques. Como exemplo, além dos notórios Tingui e Barigui, todos os trinta e tantos que foram implantados desde então em Curitiba”.

E, em tom de lamento, e com senso de humor, registra: “Até o único parque erguido por Fruet até agora, nasceu graças a essa reserva prevista por Lerner”. E pergunta: “Como é mesmo o nome desse bosque?”

PETIT PAVÊ

Rua das Flores, Curitiba, PR
Rua das Flores, Curitiba, PR

Conversar com Luiz Julio Zaruch rende momentos impagáveis de reencontro com passado recente, mas nem sempre compreendido pelas novas gerações em suas exatas dimensões e importância. Como exemplo, cita a odisseia que foi o fechamento da Rua XV, que depois passaria – naqueles trechos centrais – a ser conhecida como Rua das Flores.

Refrescando a memória de muitos (inclusive a minha), Zaruch assinala que Lerner, “de início, mandou passar corrente nas entradas da Rua XV. Para que a população sentisse os benefícios de andar por aquele espaço sem carro.

Depois veio o fechamento bombástico, com oposição da mídia, de políticos e dos comerciantes. Mais tarde, com a impressionante aceitação geral da novidade – garante o primeiro secretário de imprensa que Lerner teve- “o comércio passou a pedir que outras ruas fossem fechadas ao trânsito dos automóveis”.

Por último, mas não menos importante, Zaruch lembra que o petit pavê que calça a Rua das Flores é intocável. É de interesse público de preservação, o que pouca gente sabe.

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