segunda-feira, 11 maio, 2026
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Para entender: memórias de um boêmio de chinelos

*Conversa nas Horas Zagas – espaço de bom humor e ironia do jornalista Luiz Gonzaga de Mattos (Zaga Mattos) autor do livro
Memórias de um boêmio de chinelos.
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Puxa a cadeira. Senta aí e vamos molhar a garganta. Assim começa a se formar a roda no ambiente que é a síntese da solidariedade. Se há bares para aguardar a chegada do sol, há também aqueles para esperar as estrelas. Mas em todos há sempre um ombro para o companheiro chorar suas mágoas ou alguém para lhe oferecer uma bicada. No bar, você não sentirá sede, jamais. Aos poucos, vão chegando e contando suas histórias.

É como tirar siri da lata: você puxa um e vem aquela fieira. Sempre tem alguém para esquentar a conversa com a expressão “você sabe, o fulano?” ou “você viu o que aconteceu com o sicrano?”. O tempo passa muito depressa e chega a hora da saideira. Do “o que vou dizer em casa?”.

“Memórias de um boêmio de chinelos” revela o que o Autor viu, ouviu ou soube por aí. Algumas até viveu…Desde o tempo das repúblicas estudantis. E na hora da “farmácia”, aquela mistura do “de tudo um pouco”, estão saborosas crônicas. Alegrias ou tristezas. Tudo está por aí ao derredor. Basta ter olhos e ouvidos atentos e o coração aberto. Assim é o cotidiano. A paisagem do dia a dia. Tudo com o olhar atento e a memória de quem viveu mais de 50 anos no jornalismo.

SINOPSE

O escritor e poeta João Marques, presidente da Academia de Letras de Garanhuns e diretor do jornal O Século daquela importante cidade pernambucana, escreveu esse comentário a respeito de meu livro Memórias de um Boêmio de Chinelos:

PREFÁCIO

Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior…( Belchior) Luíz Gonzaga – Zaga Mattos – é um daqueles jovens que nas décadas de 60/70 deixaram suas cidades do interior para estudar e fazer a vida na Capital. Ao sair de casa carregavam sonhos e esperanças deixando para trás vivências de infâncias entre árvores, riachos, pescarias, casa das avós, campinhos de futebol e também suas iniciações em bares, sinucas e vidas de boemia.

O mundo das letras está carregado de exemplos assim, pois é nas cidades pequenas que nascem quase todos os bons escritores, cronistas e jornalistas. Lá eles têm tempo para observar a vida e registrá-la em memórias que mais tarde, somadas à vida profissional são transformadas em bons livros; como é o caso deste Memórias de um Boêmio de Chinelos.

Em Curitiba, Gonzaga cursou Jornalismo e ingressou nas lides dos jornais, revistas e assessorias de imprensa. Destacou-se como cronista de boa verve, impecável humor, fina ironia e muita picardia. Amante dos bares, bailes e das gafieiras – onde os bons papos acontecem – atento, recolheu histórias ouvidas, tal qual um prestativo garçom recolhe pratos, copos e garrafas ao final de uma noitada. A saideira Gonzaga mostra-se um mestre em entrar e sair das frases, dos parágrafos e das crônicas.

Sai do texto em andamento como se fosse dar uma saidinha para “esvaziar o joelho”, para depois retornar com elegância e estilo dando continuidade a história como se nada tivesse acontecido – uma espécie de flashback cinematográfico.

Uma dose de bom humor Sua gentileza com a escrita e com os assuntos que aborda monta histórias ora engraçadas, ora picantes e ora ingênuas onde veste personagens – verídicos e inventados – de homens e mulheres comuns que transitaram à sua frente entre lances das noitadas.

Pode-se dizer que Gonzaga levou uma vida de bon vivant? Sim, mas também de um operário da escrita, de um observador arguto dos deslizes, das esperanças e das tragédias humanas. De chinelos e prosa João Marques O que diz é o que sabe. O que foi e é, de lembranças e de chinelos. A idade aplaca, mas não tira ninguém do que é e do que gosta. Esse livro, Um Boêmio de Chinelos, é a saga de uma vida vivida de tudo que melhor existe e é divertido na existência.

Luiz Gonzaga Mattos, o Zaga Mattos, de simplificar as coisas, escreve com as duas mãos do escritor que é, e representa da vida o que chega, de perto, e encarna o espírito boêmio. De chinelos e de tudo que veste o homem da amizade e do companheirismo. Zaga Mattos sabe viver e escrever. O livro é a sua alma repartida com a vivência popular, que teve e tem, de ser ainda, e de lembranças. O bar, diz, “é a síntese da solidariedade”. E é pela vida de bar, que começa o livro, entre crônicas e contos. Na verdade, em Literatura, toda a crônica é um conto de vida.

E de chinelos, pela simplicidade, Luiz Gonzaga de Mattos conduz o boêmio, ou melhor, a vida boêmia, como cultura dominante da gente que vive festejando o companheirismo. Os que se juntam, encostados a um balcão, ou se reúnem em redor de uma mesa de bar. O escritor, aí, desenvolve a filosofia popular, criando ou lembrando os mais interessantes personagens. Os nomes, os apelidos, as falas, os jeitos de cada um. Tudo configura uma epopeia que, através de pequenos textos, surge pelas esquinas, pelos recantos do recolhimento. Recantos, por se eximirem as pessoas dos lugares que só solenizam.

Recolhimentos, pela separação do mundo dominante, da sobriedade e do personalismo. O bar, o bar é a taberna, a casa dos frequentadores que se acompanham. E de gestos e de falas, se entendem e se aproximam. “Bar que se preza não tem clientes, tem parceiros”. É o que se lê, logo de início. O conto viaja no tempo do autor, da mocidade à idade avançada.

E dá a história as passagens pitorescas de uma existência voltada para a vida que se dá melhor perto, que junta amigos “parceiros” na extensão de um bar.  E, abreviando o escrever dessa opinião, lembro de uma passagem, faz tempo, aqui em Garanhuns. Catão, assíduo frequentador de bares, entrando em um novo bar que se inaugurava, e em sala onde, antes, era uma livraria, largou essa sentença, em voz alta: “Mais um bar em Garanhuns, pra que tanta livraria?” O fato é que, então, só havia duas livrarias na cidade. E fecha uma.

Luiz Gonzaga de Mattos, para se tornar bom escritor, não foi preciso frequentar livrarias, apenas. Dividiu o seu tempo, certamente, entre a biblioteca, a livraria, e o bar. Lugar onde se encontra mais que uma enciclopédia da vida, é como uma academia de discussão do cotidiano…sem excessos, é claro! Sobriamente, para não embebedar a existência.

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