quarta-feira, 13 maio, 2026
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Opinião de Valor: O que estamos aprendendo com as Olimpíadas?

Cel. Audilene Rosa de Paula Dias Rocha

No decorrer dos Jogos Olímpicos de Tóquio duas situações, importantes para refletir, vieram à luz. A primeira, diz respeito a saúde mental dos atletas, que sofrem pressão e exigem muito do corpo e da mente. O estresse excessivo e constante pode gerar graves problemas de saúde, inclusive físico pela somatização. A segunda situação remete ao desrespeito aos atletas, que não conseguiram medalhas, ofendidos por meio das redes sociais.

Esses eventos nos permitem meditar sobre os problemas emocionais que afetam a nossa população, muitas vezes, são limitantes para o mercado de trabalho, relacionamentos e para enfrentar os obstáculos da vida não são levados a sério, algumas vezes são vistos como “frescura” ou “desculpas” para não cumprir com as obrigações. Não falo como profissional da psicologia, mas como alguém que, em razão da profissão, observou e lidou com pessoas que sofreram abusos e as consequências nefastas da negligência, por não receberem o devido tratamento que proporcionasse o suporte para confrontar as desconstruções provocadas por violência ou extenuação e suportar as exigências demandadas pela vida. O poder público não faz acompanhamento e o devido tratamento das pessoas com problemas emocionais, seja criança, adolescente ou adulto, o que é extremamente problemático e devastador para a pessoa, familiares e sociedade. Os indivíduos precisam de medicamentos, que muitas vezes não são ofertados pelo sistema público de saúde, e assistência psicológica, dependendo do caso, por toda a vida, para conseguirem ser produtivos. A saúde precisa ser restruturada para acolher essa demanda que atinge milhares de pessoas.

Outro aspecto, é o desrespeito aos atletas que não alcançaram seus objetivos nas competições. Ninguém está mais frustrado do que os atletas, que deveriam ser incentivados a perseverarem, pois, o fato de terem sido classificados já é um grande feito, indica superação. Entretanto, alguns foram alvos de ofensas, desrespeito, como se devessem algo a alguém. Ressalte-se que, muitos atletas brasileiros, trabalham e treinam em seu horário de folga, sem auxílio e sem qualquer patrocínio. Sacrificam-se em busca de um objetivo e representam o país tendo como único apoio sua dedicação e determinação. Apesar disso, recebem como gratidão, de quem nunca apoiou, incentivou ou patrocinou, o desrespeito.

 As atitudes de desrespeito, que não correm apenas com os atletas, infelizmente é comum na sociedade. Ficam perguntas: quais seres humanos procedem assim? O que permeia essas mentes? Desconhecem o significado de respeito e ignoram princípios para a vida em sociedade. Assim, precisamos, urgentemente, rever as matrizes curriculares para atender as finalidades da vivência comunitária na área da educação.

Abraços a todos(as) e que Deus os(as) abençoe!

Coronel PM RR Audilene Rosa de Paula Dias Rocha

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