
Eu tenho o rio, que chora, orvalho de cada sofrida manhã. Eu navego o rio, que emerge na fonte cristalina de minh’alma. E neste rio, transitam as minhas dores, e os meus amores. Eu sou este rio, de emoções, turbulências e confissões. E como todo rio, me nutre ao longo da travessia, desta chama vida. O delta deste rio é também o mar, que o acolhe como missão.
Assim sigo lutando para transformar em frutos, as sementes que espalho ao longo desta jornada. Afinal, cada um de nós é território sagrado, de rios de plasma, vapores de ectoplasma e lágrimas que irrigam as faces sofridas. Eu sou o rio, me aquieto, sorrio, a beleza convive com a tristeza, mas a esperança está presente ao longo desta penosa travessia.
Alberto A. Araujo, médico, escrito em 29/7/21.
