
(Da Folha de S.Paulo)
Com receio do desgaste de uma nova votação para o aumento expressivo do fundo eleitoral, líderes de partidos avaliam manter eventual veto do presidente Jair Bolsonaro à previsão de R$ 5,7 bilhões para o financiamento de campanha.
O Congresso dificilmente conseguiria derrubar o veto em uma votação a toque de caixa, como ocorreu na semana passada. A tendência, portanto, é buscar um acordo com o governo para um valor intermediário.
Um patamar citado por caciques partidários é o de R$ 4 bilhões —defendido por integrantes da base bolsonarista, como informou a coluna Painel, da Folha.
Ainda assim, o fundo eleitoral para 2022 seria praticamente o dobro do gasto público com as campanhas em 2018, quando R$ 2 bilhões, em valor considerando a correção pela inflação, foram repassados aos partidos.
A negociação deve se arrastar pelo menos até o fim de agosto, quando Bolsonaro precisa enviar a proposta de Orçamento de 2022.
É nesse projeto que são previstos os recursos para todas as despesas federais do próximo ano. Na semana passada, os deputados e senadores aprovaram a lei que dá as bases para a elaboração do Orçamento, a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
Mesmo siglas independentes e de oposição a Bolsonaro querem evitar o embate com o presidente em relação aos recursos para campanha eleitoral.
A negociação política é vista como o melhor caminho para garantir no Orçamento um valor que não será novamente palco para Bolsonaro, virtual candidato à reeleição, atacar a classe política, como fez em 2018.
Mas os R$ 4 bilhões, que atualmente são citados nas conversas, ainda ficam acima do que queria a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, que defende a manutenção do patamar de anos anteriores —ao redor de R$ 2 bilhões.
