terça-feira, 12 maio, 2026
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No médio prazo, empregado brasileiro de Itaipu ganha mais do que o paraguaio

Entrada do complexo operacional da Usina de Itaipu
Entrada do complexo operacional da Usina de Itaipu

Itaipu Binacional, é um mundo à parte, não se enquadra em qualquer categoria das estatais brasileiras. A começar pelo fato de que não é apenas brasileira, mas também paraguaia, o que lhe confere um status todo especial. E também porque tem sua receita definida, em grande parte, pelo dólar, com suas flutuações, ora benéficas, ora não, para o seu dia a dia e de seus empregados.

Agora, por exemplo, a Itaipu, do lado brasileiro, vive desde agosto um período de “sarça ardente”: seu dia a dia foi interrompido – especialmente em Foz do Iguaçu, na área administrativa – pela greve geral decretada pelos sindicatos que agregam os 1.400 empregados brasileiros.

O lado paraguaio da Itaipu funciona normalmente, não foi afetado pela paralisação.

OPERACIONAIS

Os 30% de empregados que a lei determina fiquem trabalhando em casos de greve, estão todos eles voltados ao operacional da usina, em Foz.

Para ontem era esperada alguma manifestação dos sindicatos sobre a greve, a partir de reuniões que estavam programadas para Foz.

NO TRT

A matéria greve vai mesmo, no entanto, para dissídio coletivo, assunto a ser julgado em 15 dias pelo Tribunal Regional do Trabalho TRT.

Em linhas gerais, as causas do imbróglio podem ser resumidas nas muitas diferenças que regem as relações trabalhistas entre as “duas Itaipu”, ou seja, os lados do Brasil e do Paraguai.

QUEM GANHA?

“A curto prazo, os empregados paraguaios de Itaipu, que são 1.800 – Podem estar ganhando. Mas a média e longo prazos, os salários e benefícios do lado brasileiro são muito mais interessantes”, explicou ontem à coluna um advogado trabalhista.

BENEFÍCIOS

Para esse mesmo informante, os benefícios do lado brasileiro, em áreas como saúde, alimentação, estudos, são melhores e mais amplos do que aqueles fixados pelo lado paraguaio.

Mas há diferenças enormes no regime de admissão dos empregados, tema que está em debate entre os grevistas. No Brasil, desde 2005, as admissões na Itaipu ocorrem apenas mediante concurso público; no Paraguai, ainda prevalece a ‘recomendação’, a simples admissão do empregado. Essa situação estaria por mudar em Assunção, que estuda também adotar o concurso público.

O VILÃO CAMBIAL

Há mais que meros detalhes nos temas levantados pelos sindicatos brasileiros que ora reivindicam isonomia com os empregados paraguaios. E não são simples detalhes. Um deles, a flutuação cambial que, em momentos como os atuais, beneficia amplamente os empregados do lado paraguaio.

De qualquer forma, os que mais sofrem são fornecedores da Itaipu, os pequenos e médios, que têm seus pagamentos parados na tesouraria da empresa.

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