
“Ousadia, temeridade, pretensão” ou uma brincadeira que junta fatos reais, com teorias e hipóteses na curiosa tentativa de identificar as origens da pele de uma família tipicamente carioca com mais de 200 anos de idade. É assim que o jornalista Renato Müller Lima Torres, com mais de 50 anos de ação profissional em Curitiba, define sua mais recente publicação que tem por título “A Cor da Pele dos Lima Torres”. Ele já publicou a história de Miguel Müller, o primeiro alemão de Curitiba e tem muitos outros trabalhos em fase de conclusão.

O livro, em formato pdf, que ele faz questão de assinalar, de livre divulgação, é o Tomo II de uma série que pode chegar a 10 volumes, onde procura contar a história da saga de famílias de portugueses que chegaram ao Brasil, na segunda metade do século XVII, e princípio do século XIX junto com Dom João VI, e aqui fixam raízes e se desdobraram em um sem número de ramificações. E resultou em vultos como Alberto Torres, um ideólogo que, post-mortem, influenciou movimentos nacionalistas que aconteceram a partir da década de 1920-30.
MESTIÇOS

Meio alemão – dos renanos do Vale do Mosel, e metade português, Renato Torres se considera um mestiço. E em seu trabalho, afirma, e apresenta fortes justificativas culturais e científicas para tanto. Se declara convencido da inexistência de raça pura, e que o homo sapiens é fruto da união, algumas forçadas pelas guerras, outras pelo amor, de múltiplas e incontáveis etnias. E, citando ainda pesquisas científicas, garante que todos os seres humanos têm um ou os dois pés na África.
Depois de atuar no jornalismo por várias décadas e servir, na área de Comunicação Social da UFPR, onde se aposentou com 35 anos de serviço, Renato Torres permaneceu na lide e atuou em quase todos os órgãos de comunicação escrita de Curitiba. E tem, inclusive, passagens por TVs e Rádios e nas assessorias de Comunicação da Prefeitura Municipal e Governo do Estado do Paraná. Agora dedica-se a pesquisas genealógicas das famílias Müller, Macedo, Paula Xavier e Lima Torres que integram seu passado “biológico”.

“A Cor da Pele dos Lima Torres” acaba se constituindo em um mosaico da própria formação dos povos brasileiros residentes na Capital do Império e, depois, Capital da Republica – Rio de Janeiro. E do povo português, que é uma síntese do “acasalamento” consentido ou forçado de celtas, godos, visigodos, germanos, romanos. E sarracenos e negros e etc. E os Torres, parte morenos e parte brancos, são a consequência dessa miscigenação que ultrapassa os 2 mil anos. E eles, seus familiares, afirma Renato Torres, católicos praticantes, se acreditam imaginariamente cristãos descendentes de um “valente” guerreiro lusitano com uma “bela e formosa filha do povo do deserto”. Cristo e Maomé unidos pelo amor promovendo a conciliação, como o papa hermano Francisco, lembra o jornalista paranaense.

