
Diego Antonelli, 30 anos, é boa amostra de quanto o jornalismo, com suas várias frentes, é insubstituível, apesar do avassalador avanço das chamadas redes sociais, nas quais os titulares quase sempre se consideram “a mídia”.
Nas redes, no entanto, a responsabilidade é quase sempre zero. E o é, pois cada ‘dono de conta’ trabalha na base do lance livre, sem compromissos. Bem ao contrário do que identifica e sustenta a razão de ser do Jornalismo.
Diego escolheu a mídia impressa, de início, mas hoje seu trabalho maduro ganha as dimensões enormes que identificam a Gazeta do Povo, para a qual trabalha e faz uma preciosa imersão no tema História.
A Gazeta leva hoje as pesquisas de Antonelli (e a maneira peculiar como as transforma em texto), a um universo de leitores nunca dantes imaginado, e que têm agora acesso também ao jornal digital.
Maria Sandra Gonçalves, a diretora do jornal, e Marisa Boroni Valério, têm sido a fonte de referência e apoio profissional de Antonelli que, ainda no Curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa escolheu a História – em suas múltiplas dimensões e esferas – como projeto de vida jornalística.
Antonelli e o insuperável José Carlos Fernandes trabalham, com ampla visão, partes da alma paranaense. Cada um deles com suas peculiaridades.
Fernandes é um dos pontos salientes da GP.
Enquanto Fernandes disseca e dá novas cores a personagens do dia a dia, Antonelli busca o Paraná pelos seus fatos históricos mais relevantes. E tem um olhar particularmente precioso, ao analisar a presença de muitas etnias na composição da vida paranaense. Nisso pode fazer um trabalho auxiliar ao de etnógrafos.
A entrevista a seguir, que fiz com o jornalista dá suporte a uma realidade em que muito acredito: há uma nova geração de jornalistas comprometida com qualidade, gente que vai garantir o moto: “Jornalismo é imortal”:
UMA PAIXÃO DE SEMPRE
a) Como a História entrou em sua vida?
R) Sempre fui um apaixonado pela história. Não há como entendermos o mundo de hoje se desconsiderar os fatos históricos. São eles que conseguem explicar a nossa realidade social, política e cultural.
Fazer uso do jornalismo para disseminar conhecimento deve ser obrigação de qualquer jornalista. É isso que me move e me empolga. Procuro dar o meu melhor para conseguir desempenhar da melhor maneira possível essa missão, que é árdua, e ao mesmo tempo, extremamente gratificante.
Produzir reportagens que abordam a História, seja nacional, mundial ou estadual, vai diretamente ao encontro dessa função social que está inserida no jornalismo. Com a linguagem própria do jornalismo é possível alcançar um vasto e diferenciado público. É incrível saber que o que a gente escreve alcança pessoas dos mais diversos cantos, com as mais diferentes profissões e distintas opiniões.

UNIVERSIDADE DE PONTA GROSSA
b) Onde tudo começou?
R) O meu interesse em produzir conteúdos jornalísticos ligados à História começou ainda na faculdade. Cursei Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa e sempre me intrigou a multiplicidade étnica do estado do Paraná. E mais especificamente de Ponta Grossa, onde há uma colônia de descendentes e imigrantes russos ortodoxos. Na Colônia Santa Cruz, como é chamada, os moradores só falam em russo, usam roupas típicas e mantêm costumes do século passado, que vieram com os primeiros imigrantes. Lá eles não podem assistir à televisão por exemplo. As mulheres casadas usam um lenço na cabeça, as solteiras, tranças. Os homens usam uma espécie de cinto de pano na cintura que separa o corpo puro do impuro.
c) Essas raízes culturais permanecem de que maneira?
R) Todas essas raízes culturais são mantidas em pleno século 21 e eles se misturam no centro da cidade a outras tantas culturas diferentes.
A curiosidade sobre essa tradição cultural e histórica foi tanta que resolvi produzir um livro-reportagem como trabalho de conclusão de curso.
O livro, mais tarde, em 2009 acabou sendo publicado com o título “Em Domínio Russo” pela Secretaria Estadual de Cultura.
E essa vontade de descobrir novos episódios da história do Paraná só cresceu com o passar do tempo.
d) Até quanto você tem ido na busca de nossa História?
R) Ao assumir o caderno de História da Gazeta do Povo em meados de 2013 pude voltar a escrever com frequência sobre um assunto que tanto gosto, que é a História, especialmente a do nosso estado. Meu propósito principal trata-se de contar a história da formação do Paraná como conhecemos hoje.
A formação social e cultural do paranaense deve muito às passagens dos tropeiros conduzindo suas tropas de gado vacum e gado muar, que desbravaram terrenos desconhecidos, aos escravos e, aos imigrantes europeus a partir do século XIX.
A SEGUNDA GUERRA
e) Quais os episódios da História do Paraná que considera mais relevantes?
R) Há episódios emblemáticos, como a participação dos paranaenses nos campos de batalha da 2.ª Guerra Mundial e como os descendentes e imigrantes alemães, italianos e japoneses foram perseguidos em pleno Paraná. Há ainda o Cerco da Lapa, Guerrilha de Porecatu, Levante de 1957, entre diversos outros. Todos ligados diretamente à história do Brasil. A importância de conhecer a história do nosso estado nos ajuda a compreendermos as razões que levam o Paraná a ser o que é hoje. Conhecer a nossa história nos ajuda a entender porque somos um estado em construção.
PERFIL
Diego Antonelli
Ano de nascimento: 1985
Natural de Palmas, no sudoeste do Paraná.
Já trabalhou nos jornais Diário da Manhã e Jornal da Manhã, ambos de Ponta Grossa. Desde 2011 atua na Gazeta do Povo.
