
Fernando Fontana conseguiu um feito muito valioso e há anos esperado: estará lançando proximamente a esperada biografia de Manoel Ribas, o Maneco Facão, como ficou conhecido o interventor no Paraná, um talento administrativo do velho Paraná que Getúlio Vargas foi descobrir em Santa Maria, RS, onde Ribas foi intendente municipal.
Na verdade, Manoel Ribas passou boa parte de sua vida em terras gaúchas, o que levou muitos – e até eu, de certa feita – a imaginá-lo gaúcho.
Manoel Ribas começou a se realizar profissionalmente trabalhando com o sogro, no comércio, em Santa Maria, para onde se mudou jovem ainda. Seus estudos foram feitos em escolas de alto padrão, como a do professor Serapião, em Ponta Grossa. Valia por uma faculdade, disso ninguém pode duvidar.
Dono de alto QI, inteligentíssimo, forte senso ético, capacidade de comando sem par – essas são algumas das qualidades que teve o lendário personagem, cujas ações administrativas se marcaram por obras como a Estrada do Cerne, vital ligação de Curitiba com o Norte do Paraná. Mais que obras (e foram muitas), Fontana revela um estilo de sentir o Paraná e suas possibilidades como identidade peculiar de Ribas.
“DESVENDANDO…”

Passei parte de meu domingo, 23, lendo trechos do livro “Desvendando Manoel Ribas – o homem, a obra o mito”.
Estou indo por partes. Ganho muito em examinar a genealogia de Maneco Facão, um cuidadoso mergulho nas raízes lusas e paranaenses de “seu Ribas”, como a ele se referia – lembro-me bem – o crítico e historiador Wilson Martins, grande admirador do homem de quem foi secretário no Palácio do governo.
NÃO ACADÊMICO
Fontana não fez um trabalho acadêmico. Não escreveu para a academia, mas para ser lido e ter o objeto de seu trabalho reconhecido nas muitas dimensões de ser humano e homem público especialíssimo.
Não há ficção no livro, como aqueles “enfeites” nas biografias autorizadas que tratam de bordar os personagens.
Fontana pode parecer ‘exaustivo’, como no caso da genealogia. Mas faz um trabalho hercúleo, evitando que, de outra forma, os acadêmicos ou pesquisadores futuros de qualquer ordem, sejam privados do conhecimento dessas raízes familiares magistralmente expostas.
O INTENDENTE
Quando se escreve sobre Manoel Ribas muito se fala sobre o papel que ele teve como administrador da Cooperativa dos Ferroviários de Santa Maria. E foi verdadeiramente importante, mexeu com uma instituição muito sólida e valiosa daquela cidade central do RS, enorme entroncamento ferroviário distribuidor de riquezas.
A cooperativa da RVFRS teve, sobretudo, importância como centro formador de mão de obra de alta qualificação, antecipando-se a marcas que seriam, depois, das escolas industriais profissionalizantes do SENAI. Para que melhor se entenda o papel da cooperativa na vida gaúcha, lembro que a instituição estava entregue aos irmãos Maristas, pedagogos ímpares.
No entanto, foi como intendente municipal de Santa Maria (prefeito), no começo dos 1930, que Manoel Ribas chamou a atenção de Vargas, para o bem do Paraná.
Naquela cidade, outro centro ferroviário maior do Estado, ele foi ousado e autentico administrador público comprometido com o futuro: lançou e construiu a rede de água e saneamento que cobriu toda a cidade.
LERNER, DOTTI, MAZZA

Os olhares de Fontana sobre “seu” Ribas são compartilhados no livro com gente que traduziu em textos e depoimentos parte da obra do interventor:
Jaime Lerner, Valfrido Pilotto, Luiz Fernando Veríssimo, Raquel Amaram, René Dotti, Luiz Geraldo Mazza, Silvia Zanella.
O certo é que pretendo ir adiante com o livro “Desvendando Manoel Ribas”, cuja edição foi possível graças ao apoio da Fecomercio.
A propósito: o prefácio assinado pelo presidente da Fecomercio, Darci Piana, prima pela objetividade e dá um recado certeiro sobre a dimensão desse homem de visão, “seu” Ribas.
