terça-feira, 24 fevereiro, 2026
HomeMemorialMarcos Domakoski: da nova genealogia paranaense

Marcos Domakoski: da nova genealogia paranaense

Marcos Domakoski, Bento Munhoz da Rocha Neto e Hélio Puglielli
Marcos Domakoski, Bento Munhoz da Rocha Neto e Hélio Puglielli

 

(trecho de perfil de Marcos Domakoski constante do volume 7 do livro “Vozes do Paraná”)

Quando Marcos Domakoski nasceu em 1953, seu pai, Antonio, estava no auge de sua carreira política, que ia deslanchando com o apoio do governador Bento Munhoz da Rocha Neto. Para o estadista, Antonio, filho de pequenos agricultores poloneses, não apenas deixava à mostra uma grande liderança comunitária iniciada como vereador à Câmara de Curitiba. Seus passos na vida pública indicavam que a cidade estava diante de um valor legislativo singular. E o fato de ter sido por duas vezes eleito o vereador mais votado de Curitiba, e também presidido a Casa, apenas confirmaria que a aposta estava certa.

Depois, levado por diversas circunstâncias, Antonio se voltaria basicamente ao comércio, deixando fortes marcas positivas na cidade. Mesmo fora do legislativo, continuou sendo uma referência na cidade, dono de bons conselhos e voz sapiente em temas de Curitiba.

Bento, um intelectual refinado, com amplo domínio da história e da etnografia paranaenses, era também político de larga sensibilidade: assim, desvelar Domakoski, um ser multifacetado, não lhe foi difícil.

Na verdade, Bento, com sua história pessoal nas raízes do velho Paraná, “deve ter sido estimulado com o contraponto representado por Antonio Domakoski, um brasileiro filho de poloneses, originário do campo, cultor de uma herança cultural milenar”, observa-me o mestre Hélio de Freitas Puglielli, professor emérito da UFPR e profundo conhecedor da história do Paraná do século 20. Hélio Puglielli é dos que acreditam que um sério estudo etnográfico da Imigração no Paraná terá de se deter “profundamente na etnia polonesa”.

Os Domakoski, na “genealogia da Imigração” – se assim se pode dizer –, firmaram-se por sua contribuição, ao lado dos Dunin Ficinski, dos Wachowicz, dos Glomb, dos Falarz, dos Woiski, dos Biernaski, dos Mikckoz, dos Dubiela, dos Kwasinski, dos Diminski, dos Kaminski, dos Lechinski, dos Kowalski, dos Novak, dos Coga…

2 – ACP E A COPEL

Não é necessária insistência para que Marcos Domakoski fale, de forma transbordante, por duas de suas “paixões” – a Associação Comercial do Paraná, que presidiu, e a Copel, a casa onde se iniciou profissionalmente e de cuja diretoria hoje faz parte. Assim, sublinha sempre a posição em que a empresa de energia elétrica ocupa hoje no ranking brasileiro: “Está entre as maiores empresas do país”. E assim vai expondo como enxerga essas duas instituições paranaenses:

— Tenho tido o privilégio de acompanhar e participar de momentos importantes de nosso Estado e do Brasil. Em relação à Copel, onde iniciei minha carreira profissional, atuei depois, já na presidência da Associação Comercial do Paraná, do movimento contra a privatização da Companhia.

Hoje, com muita honra, faço parte da diretoria executiva num dos períodos mais significativos da Copel, que se tornou a maior empresa do Paraná e já está em 10 Estados brasileiros.

Quando toca na tentativa de privatização da Copel, ideia que teve a sociedade paranaense contra, ele observa:

— Aliás, o movimento contra a privatização da Copel eu considero fundamental na história da ACP. A Associação Comercial atuou de forma corajosa e teve uma posição de liderança nessa causa paranista que mobilizou o Estado. Destaco também a participação, em 2004, na conferência da ONU Global Compact Leaders Summit, em Nova York. Como presidente da ACP, eu fazia parte do Comitê Gestor no Brasil no Pacto Global da ONU e entregamos ao secretário-geral Kofi Annan o projeto Mais Curitiba, consolidado pela ACP para apresentar alternativas econômicas e sociais para a cidade.

3 – PROFISSÃO DE FÉ

Depois de, em nova profissão de fé, opina que “ninguém deterá a marcha do Paraná, para o amplo desenvolvimento, sob a égide do respeito e do trabalho”, Marcos Domakoski lança olhar treinado sobre os melhores dias que aguardam o país:

— Vejo o Brasil com uma perspectiva otimista, com amplas possibilidades de avanço. Os desafios são grandes, principalmente na área de educação, infraestrutura e geração e distribuição de renda.

Para ele, o país teria se saído bem, nas últimas décadas, chegou a encontrar um rumo, “mas patinou um pouco em anos recentes”. E observa, com certo entusiasmo contido:

— Ao mesmo tempo percebo que a população brasileira ensaia alguns movimentos mais maduros, de maior participação, que podem ajudar a desatolar o país, a criar uma engrenagem progressista que sobreviva aos momentos de dificuldades institucionais. O Brasil vai avançar, tenho certeza. Não com a velocidade que precisa, mas acredito muito no País, principalmente porque acredito muito nos brasileiros.

Leia Também

Leia Também