
O livro ‘Estado, Classe Dominante e Parentesco no Paraná’, organizado pelo sociólogo Ricardo Costa Oliveira – a ser lançado esta semana em Curitiba -, segue na linha de um anterior do mesmo professor Oliveira, centrando-se também na presença de oligarquias na vida política do Paraná.
A mim me interessou a análise feita pelo vereador Jorge Bernardi sobre os vereadores locais.
Bernardi é um combativo vereador, um dos melhores quadros que a Câmara Municipal já teve nos últimos 10 anos. Nem levo em conta os títulos universitários de Bernardi, que são muitos. Mas especialmente porque Bernardi, um ser absolutamente comprometido com a comunidade (e ficha limpíssima).
Em síntese, ele diz, no livro, que a vida pública municipal de Curitiba “é também um patrimônio familiar”. E apresenta a “genealogia” da vereança curitibana, chegando a ponto de apontar até um ex-funcionário da família Goulin, que foi motorista das empresas deles, dentro da ‘linha oligárquica’ dos referidos empresários.
Donato Goulin foi vereador e presidente da Câmara.
O estudo vai desde 1947 a 2013.
2 – COMPARAÇÕES
Claro que Bernardi não teve espaço para estabelecer o confronto entre a Câmara de hoje e aquela dos anos 1970/90, em que notáveis da vida pública paranaense por lá passaram. Era gente como Maurício Fruet, Aírton Cordeiro, Jorge Samek, Adail Sprenger Passos, Amadeu Geara, Rafael Greca de Macedo, Gustavo Fruet, José Maria Correa de Araujo – entre outros. Eles não brincaram de vereador. Sobram dessa parte valiosa de vereadores, nomes como os de Bernardi, Julieta Reis, Felipe Braga Côrtes e Tito Zeglin, quase que só eles.
Pretendo voltar ao texto de Bernardi, que não deve estar nada contente com a frase “houveram, na Câmara Municipal de Curitiba, 16 legislaturas normais…”
A frase desastrada aparece na segunda linha da Introdução.
Bernardi deve estar amolado, pois vigiar pela sintaxe também é assunto para os vereadores, até para que avisem a editora da obra que o verbo haver – no sentido de existir – não é flexionado. No caso, o certo é “ houve”.
O verbo haver é uma das mortíferas ciladas para identificar quem preza ou não o idioma.
