terça-feira, 24 fevereiro, 2026
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Casa lotada para entender conteúdo da Laudato si’

Evaristo Eduardo de Miranda
Evaristo Eduardo de Miranda

Poucas vezes o moderno auditório do Studium Theologicum de Curitiba esteve lotado, com “gente saindo pelo ladrão”, como aconteceu na noite de quarta, 12. Isso foi uma surpresa geral, pois sabe-se que, na média, para audiência de uma conferência universitária, o que tem predominado entre nós é um público que fica na denominação de “gatos pingados”. Isso quase como regra.

Acontece que o astro-conferencista da noite foi o cientista, doutor em Ecologia pela França, pesquisador da Embrapa, escritor, professor e consultor de instituições como a FAPESP Evaristo Eduardo de Miranda, de Campinas. Ele tem sempre público certo, por onde expõe suas ideias.

2 – A PALAVRA DE PERUZZO

Dom José Antonio Peruzzo
Dom José Antonio Peruzzo

Além de Evaristo, outra personalidade chamou atenção por sua presença discreta, e dona de palavras oportunas: o arcebispo dom Peruzzo. Em sua rápida intervenção, louvando a iniciativa do Instituto Ciência e Fé de Curitiba e do Studium Theologicum ele opinou: na Laudato si’ o papa Francisco dá sua mensagem calorosa, cheia de afetividade, plena de preocupações com a “casa comum”. Já Bento VI – a propósito da comparação feita por Evaristo – com suas mensagens sobre o meio-ambiente foi o pensador requintado de sempre, o homem da “ratio”.

Bento XVI
Bento XVI

3 – DUPLA CONDIÇÃO

Na dupla condição de especializado em Ecologia e também católico militante, Miranda, tocou em “espinhos” da encíclica Laudato si’, a carta do papa Francisco sobre o meio ambiente, e tema central de sua fala em Curitiba.

A cutucada de Evaristo mais forte foi a que deu lamentando os redatores e o papa não terem consultado a Academia Pontifica de Ciência do Vaticano, que reúne 18 detentores de prêmio Nobel (boa parte, agnóstica ou ateu) para escrever o documento ‘Imperdoável’.

Louvou os papas Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI por manifestações densas, profundas, sobre a necessidade de o planeta Terra ser preservado da destruição. Fixou-se em Bento, lembrando que ele partiu para gestos concretos, determinando o plantio de uma floresta de 7 mil hectares na Hungria, destinada a com pensar a emissão de gases de efeito estufa pelo Vaticano. E decretou o território Vaticano zero em emissão de carbono, disse.

4 – “CASA COMUM”

A longa e fértil análise de Evaristo, que saudou a densidade da Laudato Si em defesa da chamada “casa comum”, apontou curiosidades sobre o documento. Uma delas: ao contrário do plural majestático – o “nós” – usado pelos pontífices nas encíclicas, Miranda lembrou que Laudato si’ é todo na primeira pessoa. Francisco que fala na primeira pessoa. E outra curiosidade: a carta não foi endereçado nem a cardeais, nem aos bispos, nem aos católicos, mas se dirige a todos, crentes e não crentes. Aos habitantes da Terra.

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