
Pode-se acusar de quase tudo os malfeitores apanhados pela Operação Lava Jato da Polícia Federal. O que não se pode negar é que alguns deles tiveram um certo requinte cultural na lavagem do dinheiro roubado. Disso não há dúvidas. É o que se conclui pelas entregas de obras de arte apreendidas pela Lava Jato em casas e escritórios dos réus. O último lote entregue ocorreu terça-feira, 11, sendo recebido pela direção do Museu Oscar Niemeyer, onde as obras passarão por quarentena, higienização, catalogação e todos os requisitos museológicos de alto padrão.
Desse quinto lote – contado deste a primeira entrega em 2014 – não há ainda avaliação dos valores envolvidos.
A diretora do MON, Juliana Vosnika, declarou que o Museu sente-se “lisonjeado com a escolha da Polícia Federal”. O MON passa a ser depositário de 270 obras (com as 22 agora entregues). Os artistas são parte da elite das artes visuais do Brasil de hoje: Di Cavalcanti, Claudio Tozzi, Manabu Mabe, Cícero Dias, Guignard, dentre outros.
Ao contrário de uma vez anterior, quando foi muito questionado por especialistas até autenticidade de certas obras – sem falar no pouco valor de outras -, as que chegaram agora ao MON são de despertar interesse de qualquer colecionador.
2 – ESPAÇO TÉCNICO
O Museu Oscar Niemeyer foi a instituição escolhida pela Polícia Federal para abrigar estas obras por apresentar espaço técnico adequado para sua preservação e conservação. “O MON ser escolhido para salvaguardar estas obras de grande valor artístico deixa claro o reconhecimento e a importância do espaço para sociedade”, afirma o secretário de Estado da Cultura, João Luiz Fiani. Não há, até a presente data, estimativa em relação ao valor financeiro dos quadros. Até decisão da Justiça Federal, as obras ficam sob a guarda do museu e passam pelos procedimentos técnicos: quarentena, higienização e limpeza.

