segunda-feira, 23 fevereiro, 2026
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Coronel Audilene, a mulher que superou todas as barreiras e se impôs na PMEP

Coronel Audilene Rosa de Paula Dias da Rocha
Coronel Audilene Rosa de Paula Dias da Rocha

Há farta literatura, no mundo todo, especialmente na área da Psicologia, tentando explicar o porquê de certos seres humanos conseguirem vencer obstáculos de toda sorte. E se tornando vencedores na vida.

É gente que, no fundo, explica aquela máxima – “o que não me destrói me faz mais forte”.

O melhor exemplo de um tipo humano que superou todas as barreiras materiais e sociais para se impor na vida me foi passado ontem pela vice-governadora, Cida Borghetti, quando me revelou o perfil nada comum da coronel PMEP Audilene, que comanda a segurança da Vice Governadoria.

2 – VIDA DIFÍCIL

Natural de Umuarama, Adilene nasceu num lar de pobreza absoluta. O pai, alcoólatra, abandonara a família, composta por Audilene e dois irmãos que, depois, também ingressariam na Polícia Militar do Paraná. Têm, como ela, os postos de coronéis.

“A situação era tão braba que ela, mocinha, não raras vezes tinha de pedir ajuda da vizinhança para garantir a comida do dia”, explica Cida.

Alma talhada para vencer obstáculos – o maior e mais imediato era o da fome -, teve como grande ponto de apoio o padrasto. Ele encaminhou Audilene e os irmãos para a escola, em que saíram sempre bem. Venceram a fome e a ignorância, em cujo entorno haviam nascido.

Cida Borghetti com a coronel Audilene
Cida Borghetti com a coronel Audilene

3 – RESUMO

“O resumo é o seguinte” – proclama Cida Borghetti: – “a coronel se submeteu, sem privilégios, a toda as etapas da carreira militar, passando no exame de admissão à Academia do Guatupê, em 1985. ”

Naqueles dias, só Audilene e outra aspirante dividiram o espaço, em regime de internato, com dezenas de cadetes, na academia.

“Audilene é um exemplo de perseverança, cursou todos os cursos necessários para chegar à posição que hoje desfruta”, resume Cida essa história de vida. A coronel pretende ficar na carreira pelo menos mais três anos.

E no currículo dessa mulher destemida, simpática, anotam-se passagens em postos importantes, e formação acadêmica exemplar. É formada, por exemplo, pela Escola de Magistratura do Paraná e pode exibir dezenas de cursos universitários e de extensão.

4 – O CURRÍCULO

O atentíssimo jornalista Ricardo Caldas responde ao pedido da coluna, mandando-nos informações complementares sobre essa mulher muito singular:

– “Audilene Rosa de Paula Dias Rocha é Chefe de Segurança da Vice-Governadora Cida Borghetti e Assessora para Assuntos de Segurança Pública na Vice-Governadoria do Palácio do Governo do Estado. Ela está na corporação desde 1985 e faz parte da terceira turma da Escola de Oficiais. Foi chefe do 3º Comando Regional de Maringá (abrange as regiões de Maringá, Paranavaí, Campo Mourão, Umuarama e Arapongas). Passou por alguns municípios da região e foi comandante interina do 8º Batalhão de Paranavaí, em 2009.

No 4º Batalhão de Maringá passou pelo Pelotão de Trânsito, chefe da Seção de Inteligência, da Seção de Justiça e Disciplina, de Recursos Humanos e de Logística. ”

5 – ABRINDO ESPAÇO

Ainda segundo Caldas: “Audilene abriu espaço para o trabalho feminino em alguns setores antes ocupados exclusivamente por homens, comprovando a eficiência das mulheres em setores como o de inteligência e patrulhamento da PM.

Recebeu o título de Cidadã Benemérita de Maringá. O título foi proposto pelos vereadores Capitão Ideval, Tenente Edson e Márcia Socreppa.

Bacharel em Segurança Pública pela Academia da Polícia Militar do Guatupê e em direito pela UEM, a tenente-coronel Audilene é formada ainda em magistratura pela Escola Superior de Magistratura do Paraná, tem especialização em Planejamento e Controle da Segurança Pública pela Universidade Federal do Paraná, especialização em Política, Estratégia e Planejamento no 36º Ciclo de Estudos de Ciência Política e Estratégia – ADESG, e especialização em Gestão de Pessoas. ”

6 – HISTÓRIA DAS MULHERES NA PM

A mulher policial ou bombeiro militar vem ganhando, desde 1977, cada vez mais espaço na corporação de 161 anos, Polícia Militar do Paraná.

Hoje elas representam cerca de 8,15% do total do efetivo, compõem todos os postos e graduações, e ocupam funções diversas e até de comando, numa corporação predominantemente masculina.

Apesar da evolução, no último concurso para soldado, das 2.433 vagas ofertadas, 581 foram ocupadas por policiais ou bombeiros militares femininas, ou seja, 23,8%.

Além das funções de Comando, a corporação conta hoje com mulheres que se destacam em atividades consideradas estritamente masculinas devido à exigência de grande esforço físico, no serviço operacional (nas ruas).

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