
Na República Checa poucos, muito poucos, haviam ouvido falar de Vlademir Kozak, até poucos anos passados. Hoje, o etnógrafo que fez história na vida paranaense e brasileira, não só é nome de rua em sua cidade natal, como nos próximos dias estará tendo sua vida e obra exibidos na televisão estatal daquele país. E isso estará acontecendo porque uma equipe de jornalistas e pesquisadores checos passou dias em Curitiba, examinando e filmando parte do precioso acervo deixado por Kozak, pertencente ao Museu Paranaense.
O grupo foi apoiado pela equipe do diretor do Museu, Renato Augusto Carneiro Junior.
…DESDE OS ANOS 1920…
Kozak veio para o Brasil no final dos 1920s para trabalhar (era engenheiro) em hidrelétricas. Acabou, em contato com o povo e as diversas latitudes do Paraná, envolvido com a vida primitiva de selvagens, como tribos de índios xetás.
… E TUDO SOBRE XETÁS

A maneira como Kozak estudou e documentou usos, costumes, língua, artes, culinária e múltiplas características dos xetás foi um marco da etnografia brasileira. Fotografou e filmou os xetás, além de ter escrito, sobre essa população hoje reduzida a 5 membros (não mais falam a língua mãe), vivendo em tribo de outra etnia, nas proximidades de Umuarama.
A importância de Kozak para a vida cultural do país começou a ser avaliada na sua correta dimensão nos anos 1970, pelo então diretor do Museu Paranaense, professor Oldemar Blasi.

Blasi, um abnegado, professor da UFPR, foi quem por primeiro colocou a realidade – como representante do poder público – no enorme e impagável acervo de Kozak. E mais: com a morte do etnógrafo e fotógrafo, e de sua irmã, Karla, sem terem deixado herdeiros, Blasi conseguiu instaurar processo da herança jacente em favor do Governo do Paraná.
O Estado, no fim do processo, foi declarado herdeiro dos bens de Kozak e Karla.
Uma casa que foi deles está colocada a serviço da Prefeitura, como empréstimo. O acervo do etnógrafo está (filmes, fotos, escritos, pinturas, objetos) no Museu Paranaense.
Uma raridade será ouvir filmes com diálogos em xetá, língua extinta.
