
O escritor, homem de marketing e publicitário Eloi Zanetti é um dos mais assíduos leitores deste espaço. E sempre traz a nossos leitores contribuição inestimável. Agora, por exemplo, a propósito da relação médico-paciente, manda-me um precioso depoimento, em que aborda, como nasceu um de seus livros de impressionante tiragem: “O Médico que não sabia fazer bilu-bilu”.
Foi editado pelo Conselho Federal de Medicina, 100 mil exemplares.
O mais impressionante, para mim, é que o texto de Eloi teve repercussão junto a um dos médicos de maior importância na vida cultural do Brasil, o também escritor Moacir Scliar, que um dia confessou a Zanetti: “Dou aula de ética médica com seu livro do bilu-bilu”. Uma consagração para o curitibano.
A seguir, acompanhe carta de Eloi Zanetti narrando esse episódio muito significativo:
1 – “TEM DE FAZER BILU-BILU…”
“Aroldo, – a propósito das suas notas sobre o trabalho da Dra. Marcela Dohms – a comunicação médico-paciente – tenho uma história para te contar:
Por volta de 2003 fiz uma palestra sobre marketing de relacionamento em um evento do Conselho Federal de Medicina, em Gramado. O foco era o relacionamento entre médicos e pacientes. Logo após a minha fala, o reitor da Universidade de Minas Gerais também abordou o assunto, mas sob a ótica acadêmica. Após as nossas apresentações, o presidente do Conselho Federal de Medicina, Dr. Edison de Oliveira Andrade, que fazia a moderação das nossas palestras falou: “Tudo que o Eloi disse está muito bom, tudo que o reitor disse também está muito bom, mas para mim “médico tem que saber fazer bilu-bilu! ” –, na hora do intervalo abordei o presidente: “Dr. Edison esta história de que médico tem que saber fazer bilu-bilu dá um bom livro, posso fazer? ” – Ele autorizou e três anos depois, sob a coordenação do Dr. Gerson Zafalon Martins, apresentei o livreto: “O Médico que não sabia fazer bilu-bilu. ” O CFM comprou os direitos e mandou editar 100 mil exemplares, distribuindo, na ocasião, um livreto para cada médico associado. Foi um sucesso.
2 – MOACYR SCLIAR DAVA AULAS COM O LIVRO
E um dos maiores elogios que já recebi foi quando o escritor gaúcho e também médico Moacyr Scliar me disse: “Eloi, dou aula sobre ética médica com o seu livro do bilu-bilu”.
3 – COMO ME SALVEI
Aroldo, você sabe do susto que levei no final do ano quando se manifestou em mim uma doença séria e rara – uma inflamação no pâncreas fruto de um processo autoimune – foram os empenhos dos Drs. Anselmi, a atenção do Dr. Salin Emed, diretor do Hospital Nossa Senhora das Graças, a eficiência em me orientar do Dr. Gerson Zafalon Martins, o tratamento com o Dr. Alcindo e a dedicação e empenho da minha mulher Elisa Carneiro que me salvaram a vida.
4 – VIDA CURTA, ARTE LONGA
Sobre o trabalho médico, Hipócrates – 415 a.C -, em seus aforismos dizia: “A vida é curta, a arte é longa; a oportunidade, efêmera; a experiência, ilusória; o julgamento, difícil. O médico, não só deve estar preparado para fazer corretamente a sua parte, como deve também conseguir a cooperação do paciente, dos assistentes e dos acompanhantes. ”
Com a frase acima, Hipócrates estava querendo nos dizer que “a nossa vida é curta e que a arte do estudo da medicina é de longo aprendizado…”.
Falo isto porque soube pela sua coluna que o Dr. Anselmi se encontra atualmente no Washington Cancer Center acompanhando alguns casos com um dos maiores especialistas do mundo em oncologia. Os médicos que me atenderam seguem à risca os ensinamentos do pai da medicina – “a gente nunca está preparado o suficiente, é preciso estudar sempre e muito”.

