
Até ontem eu não tinha ouvido falar em OSCE (“Objective Structured Clinical Evaluation) que pode ser traduzida como Avaliação Clínica Estruturada Objetiva.
Não me preocupo com essa “ignorância”. Afinal, fico sabendo que são raros os brasileiros, mesmos os médicos, que conhecem (e utilizam) o método que este jornalista acaba de descobrir ao conversar com uma jovem médica, Marcela, a quem conhece desde que ela era criança.
A médica e professora de Medicina não apenas me revela as funções da OSCE como fala também de outras siglas que contêm igualmente eficientes instrumentais colocados a favor da melhor relação médico-paciente. Uma delas, o PBI (Performance Based Interview).
2 –DOIS INSTRUMENTOS
OSCE e PBI são, na verdade, dois instrumentos que ajudam Marcela a formar os Médicos de Família (MF), na medida que apresenta em salas de aula vídeos-conferências com consultas reais (autorizadas pelos pacientes) ou cases simulados, gravados com atores ou com a participação de estudantes; uns fazem o papel de médicos, outros, de pacientes.
Marcela Dohms, 35, está fazendo doutorado na USP, na área de Educação Médica e Habilidades de Comunicação, concentrando-se justamente nessa que é uma das maiores dificuldades e dores, para médicos e pacientes: eles geralmente se comunicam mal, o stress na relação entre os dois é muitas vezes amplo e irrestrito, e como consequência desses desencontros – simplesmente um não entende o que o outro fala – surgem danos enormes. Alguns deles são irreversíveis, especialmente para os pacientes e sua saúde.
3- NOME DE TURMA
Estou diante de uma médica que se notabiliza como professora de Medicina da Família – no Curso de Medicina do Hospital Pequeno Príncipe, na UFPR e na Residência Médica da Secretaria de Saúde da de Curitiba (em convênio com o Ministério da Saúde, e do qual é coordenadora). Isso sem abandonar o acompanhamento a consultas e supervisão dos alunos e residentes nas unidades de saúde.
Prova da boa relação com os alunos (médicos) Marcela pode exibir: ela dá o nome à primeira turma do programa Médico de Família da Secretaria de Saúde de Curitiba/UFPR. O que não é pouco para essa “elétrica” jovem, hoje já respeitada até fora do Brasil por um capítulo que ela está ajudando a escrever, a Comunicação Médica.
Tanto interesse tem pelo tema – “indispensável uma boa comunicação, especialmente no exercício da Medicina de Família”, diz – que Marcela foi à Holanda. Lá nos Países Baixos é onde melhor se conhece o assunto, assim como a Espanha. Em Barcelona a médica, com o marido, Paulo Poli Neto, também médico de família, acompanharam os amplos e avançados programas de Medicina da Família. Fizeram estágio por 6 meses, conquistando crédito Acadêmicos, em curso da Sociedade Espanhola de Medicina da Família. Um dos resultados desses estágios é que ela está na moderna história da Medicina
brasileira: está formando os primeiros médicos brasileiros especializados em PBI.
4 – TALENTO DO TEMPO
“No chamado Dia do Juízo, Marcela jamais poderá ser acusada de ter sido uma serva preguiçosa e não diligente…”, observa o publicitário, editor de jornais e revistas, professor de I Ching Jubal Sergio Dohms, seu pai que – coruja como só ele pode ser –, garante que a “maneira como ela utilizava o tempo, desde muito nova, nos deixava impressionados. Aos 6 anos, com professora particular, já estudava violão e era uma menina de multitarefas.”
A dedicação à Educação Médica – com ênfase na sua especialidade, a Comunicação Médica – exigem que Marcela por vezes seja ubíqua. Já esteve no Rio, formando preceptores de Medicina da Família na metodologia PBI, deu aulas em congressos médicos, prepara-se para ir ainda este ano a Natal para explicar o PBI a Médicos de Família no Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade) e em novembro participará do Congresso Brasileiro de Educação Médica, no Rio.
Onde encontra tempo para essa ubiquidade – estar mais de um lugar ao mesmo tempo? A resposta vem com um largo sorriso: Dedicação, diz, assim tocando no maior espinho na carne dos educandos e educadores.
Enquanto vai falando comigo, consulta dados pelo iPhone: confirmava o nome da editora para a qual escreve. É a Artmed, de Porto Alegre. (SEGUE NA PRÓXIMA EDIÇÃO)
