
Ozeil Moura, o cônsul do Senegal no Paraná, ganha amplo perfil no volume 7 de meu livro Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses, a ser lançado em 10 de setembro na EBS, Estação Business School (Rua Engenheiro Rebouças). O título que encima o texto sobre Ozeil é definidor da ação do personagem:
“O Cônsul da Mãe África”.
A trajetória de Ozeil mostra-o um brasileiro de origem africana plenamente vencedor na Curitiba que, por muitos anos, foi apontada como “a cidade mais branca do Brasil”, numa referência à população então predominantemente europeia, realidade que perdurou até o final dos 1960.
Hoje Curitiba é uma cidade bem miscigenada, realidade que, na opinião que um dia recolhi de meu amigo Newton Freire-Maia (in memoriam), geneticista notabilizado por estudos de genética populacional, é “extremamente benéfica”.
Os filhos de casais interraciais (ou Inter étnicos?) tendem a apresentar um notável quadro de saúde física e mental. Esta foi a palavra que por vezes ouvi de Freire-Maia, que presidiu a Sociedade Brasileira de Genética.
2 – EXPRESSÃO
Na verdade, Ozeil e Conceição Barindelli (foi personagem de Vozes 6) aparecem como os negros paranaenses de grande expressão cultural e social em Curitiba.
A vida dele, particularmente, é marcada por ser notável empreendedor: boa parte das relações comerciais de países africanos com o Paraná e Santa Catarina passam hoje pelo escritório de Ozeil. Por isso, o cônsul do Senegal é por mim cognominado de “O Cônsul da Mãe África”, numa referência à África como continente de onde todos os homens e mulheres somos provenientes.
3 – PIONEIRISMO

Não se espere encontrar em Ozeil um irado pregador do “Black Power” ou de movimentos de inserção do negro na sociedade brasileira. A pregação dele vem a partir de gestos concretos, mostrando-se parte de uma Curitiba abrangente que, hoje, graças, escolhe os chamados construtores da sociedade a partir das qualidades que mostram. E as do cônsul são muitas.
Ele é, de fato – e desculpas pelo clichê – um dos chamados “pilares da sociedade”, o que se observa em suas ações em movimentos empresariais.
Por exemplo, para mim, muito significativo na análise da carreira de Ozeil, formado em Administração e Ciências Sociais pela FAE, está no pioneirismo que exerceu na vida paranaense, em certos campos do conhecimento. O mais marcante deles foi a sua Planepar, a primeira empresa de planejamento urbano que o Paraná teve, anos 70. Ele a fundou e percorreu boa parte do Brasil apresentando planos diretores que acabaram acatados por cidades importantes.
Há outras marcas de pioneirismo em Ozeil: por exemplo, ele mostra – e prova – que o primeiro projeto de cereal duto ligando Araucária ao porto de Paranaguá foi obra sua e de sua equipe, anos 1990.
Não bastassem dados como os mencionados, é importante apontar o Consulado do Senegal – no bairro do Rebouças – como o melhor referencial de um continente que começa a expressar-se por suas riquezas e possibilidades.
O cônsul, distante da militância de movimentos negros tradicionais, tem feito gestos concretos pelo resgate da história de seu povo no Brasil.
Um deles, definitivamente importantíssimo: liderou a criação do Parque Memorial Zumbi dos Palmares, no Pinheirinho, Curitiba. É um marco único, que já atraiu a visita de chefes de Estado para reverenciar o herói Zumbi, parte indeclinável da História do Brasil.
