segunda-feira, 23 fevereiro, 2026
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“Cônsul da mãe África” e pioneiro do planejamento urbano

Ozeil Moura
Ozeil Moura

Ozeil Moura, o cônsul do Senegal no Paraná, ganha amplo perfil no volume 7 de meu livro Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses, a ser lançado em 10 de setembro na EBS, Estação Business School (Rua Engenheiro Rebouças). O título que encima o texto sobre Ozeil é definidor da ação do personagem:

“O Cônsul da Mãe África”.

A trajetória de Ozeil mostra-o um brasileiro de origem africana plenamente vencedor na Curitiba que, por muitos anos, foi apontada como “a cidade mais branca do Brasil”, numa referência à população então predominantemente europeia, realidade que perdurou até o final dos 1960.

Hoje Curitiba é uma cidade bem miscigenada, realidade que, na opinião que um dia recolhi de meu amigo Newton Freire-Maia (in memoriam), geneticista notabilizado por estudos de genética populacional, é “extremamente benéfica”.

Os filhos de casais interraciais (ou Inter étnicos?) tendem a apresentar um notável quadro de saúde física e mental. Esta foi a palavra que por vezes ouvi de Freire-Maia, que presidiu a Sociedade Brasileira de Genética.

2 – EXPRESSÃO

Na verdade, Ozeil e Conceição Barindelli (foi personagem de Vozes 6) aparecem como os negros paranaenses de grande expressão cultural e social em Curitiba.

A vida dele, particularmente, é marcada por ser notável empreendedor: boa parte das relações comerciais de países africanos com o Paraná e Santa Catarina passam hoje pelo escritório de Ozeil. Por isso, o cônsul do Senegal é por mim cognominado de “O Cônsul da Mãe África”, numa referência à África como continente de onde todos os homens e mulheres somos provenientes.

3 – PIONEIRISMO

Memorial Zumbi dos Palmares
Memorial Zumbi dos Palmares

Não se espere encontrar em Ozeil um irado pregador do “Black Power” ou de movimentos de inserção do negro na sociedade brasileira. A pregação dele vem a partir de gestos concretos, mostrando-se parte de uma Curitiba abrangente que, hoje, graças, escolhe os chamados construtores da sociedade a partir das qualidades que mostram. E as do cônsul são muitas.

Ele é, de fato – e desculpas pelo clichê – um dos chamados “pilares da sociedade”, o que se observa em suas ações em movimentos empresariais.

Por exemplo, para mim, muito significativo na análise da carreira de Ozeil, formado em Administração e Ciências Sociais pela FAE, está no pioneirismo que exerceu na vida paranaense, em certos campos do conhecimento. O mais marcante deles foi a sua Planepar, a primeira empresa de planejamento urbano que o Paraná teve, anos 70. Ele a fundou e percorreu boa parte do Brasil apresentando planos diretores que acabaram acatados por cidades importantes.

Há outras marcas de pioneirismo em Ozeil: por exemplo, ele mostra – e prova – que o primeiro projeto de cereal duto ligando Araucária ao porto de Paranaguá foi obra sua e de sua equipe, anos 1990.

Não bastassem dados como os mencionados, é importante apontar o Consulado do Senegal – no bairro do Rebouças – como o melhor referencial de um continente que começa a expressar-se por suas riquezas e possibilidades.

O cônsul, distante da militância de movimentos negros tradicionais, tem feito gestos concretos pelo resgate da história de seu povo no Brasil.

Um deles, definitivamente importantíssimo: liderou a criação do Parque Memorial Zumbi dos Palmares, no Pinheirinho, Curitiba. É um marco único, que já atraiu a visita de chefes de Estado para reverenciar o herói Zumbi, parte indeclinável da História do Brasil.

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