
O melhor “lead” – abertura – da notícia, é dizer que Curitiba está perdendo para Israel um dos bons exemplares que a cidade já teve de cidadão dedicado à saúde social. Particularmente à saúde bucal do Paraná todo.
Esse cidadão, de que sentiremos falta, é Léo Kriger, que foi professor da PUCPR, UFPRR e Universidade Tuiuti, e com ampla ação na comunidade israelita de Curitiba.
Léo foi meu personagem em Vozes do Paraná 6.
Sobre ele e Helena, sua mulher, registro esse apanhado feito pelo professor Antonio Carlos da Costa Coelho:
2 –FILHO DE ISAAC
“O filho do seu Isaac, aquele senhor atencioso e mestre do retrato da antiga Foto Brasil, está deixando a cidade. Vai de vez para Israel. Depois de muitos ensaios e ameaças, decidiu partir, fazer o retorno, como se diz no meio judaico, para Israel, onde já está a metade da sua família. Já estão na terrinha a filha Cyrla, o genro David e os netos Adi e Noan.
Fica em Curitiba o filho mais velho, Rogério, sua mulher Liziane e os meninos Bruno e Leonardo.
3 – O COMPROMISSO
Léo é um curitibano de carteirinha, mas, acima de tudo, é um brasileiro comprometido com a saúde social. Fez disso a sua vida. Ao lado dos alunos das universidades Federal, Católica, Tuiuti, liderou ações de valor imensurável à saúde da população mais carente e das crianças em idade escolar. Foi diretor da Escola de Saúde Pública, trabalhou com a inesquecível Zilda Arns na Secretaria de Saúde, quando desenvolveu projetos de saúde preventiva na região metropolitana de Curitiba.
4 – CULTURA E ESPORTE
Léo e sua mulher, Helena, sempre tiveram um papel destacado na comunidade israelita do Paraná. Léo foi presidente da Federação Israelita do Paraná.
Na Comunidade foi um grande incentivador das atividades culturais e esportivas. Nos anos 90, com sua equipe de trabalho na Federação Israelita, montou duas feiras de Israel. O esporte é coisa do gosto do Tio Léo. Fez jornalismo esportivo, ainda no tempo do preto e branco e da telefoto. Manteve uma coluna esportiva no jornal “O Dia” e trabalhou no Diário do Paraná.
5 – O RETORNO
Aposentado do magistério, do consultório que manteve na Travessa Monteiro Lobato, onde atendeu gerações na ondontopediatria, Léo e Helena optaram por viver até 120 anos em Israel. Seu retorno fecha um ciclo da vida de muitos judeus que, um dia, partiram da Europa em busca de uma terra para viver longe das perseguições antissemitas que marcaram a primeira metade do século XX. Agora, num outro tempo, mais seguro, retornam a Israel, terra de origem dos seus antepassados mais distantes. Deixam no Brasil seus filhos e netos e, também, um trabalho inestimável à saúde bucal de milhares de crianças beneficiadas pelos programas que Léo ajudou a implantar.
