
Que o atual secretário de Estado do Planejamento, Sílvio Barros, é uma exceção nos primeiros escalões da vida pública do país, ninguém duvida. Ele tem história e currículo bem conhecidos. E respeitados.
Na sua ânsia catequética, em busca de mudar a visão dos administradores públicos, Barros pode até parecer “exagerado”, quando vai a fundo, citando autores e bibliografias que deixam a plateia meio que boiando. Tal como aconteceu na sexta-feira, em Londrina, quando ele falou para prefeitos e deputados federais e estaduais, sobre o tema “Pacto Federativo”. Tratou da questão da distribuição dos recursos públicos federais, estaduais e municipais.
O “boiando”, no caso, fica por conta dos autores que Barros costuma citar, dificilmente conhecido de autoridades e até de acadêmicos.
EXCESSO DE DIREITOS
Num momento de sua pregação, foi a fundo: Barros apontou que o problema da escassez de recursos está relacionado com o excesso de direitos e poucos deveres. Para explicar, o secretário citou um trecho do livro A Quarta Revolução, de John Micklethwait, diretor-geral da agência Bloomberg e Adrian Wooldridge, editor da revista The Economist.
Barros cravou: “Para o bem ou para o mal, democracia e elefantíase estatal caminham de mãos dadas. Os políticos se esforçam para nos dar mais daquilo que queremos – mais educação, mais assistência médica, mais presídios, mais aposentadorias, mais segurança, mais direitos sociais.
Mesmo assim – eis o paradoxo – não estamos satisfeitos. Os eleitores sobrecarregam o Estado com suas reivindicações, depois se enfurecem com seu mau funcionamento”.
