segunda-feira, 23 fevereiro, 2026
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Escritores entre “bullying” e a vida de monge trapista

Mosteiro Nossa Senhora do Novo Mundo, em Campo do Tenente (PR)
Mosteiro Nossa Senhora do Novo Mundo, em Campo do Tenente (PR)

Duas informações no mínimo curiosas, com sal e pimenta, e que, por isso, recomendam que os personagens fiquem no anonimato, aqui seguem:

A primeira vem dos Campos Gerais, dando conta que um educador e escritor local, com relativa projeção, resolveu pedir licença do serviço público sob a alegação oficiosa de que estaria sofrendo “bullying” no ambiente de trabalho. Por isso, vendeu carro, reuniu mulher e os dois filhos e está de partida para Portugal, onde – está é a explicação oficial – cumprirá o ‘ano sabático’.

O alegado “bullying” teria começado depois da frustrada tentativa de o escritor eleger-se para uma nova posição na carreira.

“Ele fez campanha de baixaria e passou como trator por muitos antigos colegas que o beneficiaram ao longo da vida”, explica à coluna um professor de Letras da UFPR que conhece muito bem a situação e tem vários amigos naquele cenário de discórdias.

Mosteiro Nossa Senhora do Novo Mundo, em Campo do Tenente (PR)
Mosteiro Nossa Senhora do Novo Mundo, em Campo do Tenente (PR)

2 – A “CONVERSÃO”

A outra ‘curiosidade literária’ vem de Campo do Tenente, do Mosteiro Trapista Nossa Senhora do Novo Mundo. Um jovem escritor paranaense, já com premiações que lhe prenunciam bom futuro, estaria em tratativas com os monges para fazer um ano de “experiência” naquela ordem rigorosa, conhecida pela clausura total. Outrora notabilizaram-se os trapistas pelo voto de silêncio. Comunicavam-se por sinais, de preferência.

Hoje, os trapistas da Holanda e Bélgica são conhecidos especialmente pela produção de cervejas – as trapistas – disputadíssimas mundo afora. Sem que, no entanto, deixem de ser homens de oração e trabalho monástico.

3 – OS TESTES

O moço está sendo rigorosamente ‘testado’ pelo abade da casa, um norte-americano de origem judaica, poliglota e com doutorado na Alemanha.

A primeira condição dada ao candidato poderá ser o calcanhar de Aquiles do jovem romancista: que fique calado, em silêncio absoluto, 24 horas por dia. Só poderá rezar, em voz alta, nos 6 ofícios diários entoados na capela do mosteiro.

4 – PAIXÃO

Em compensação, “excepcionalmente”, poderá escrever. “Mas apenas exercícios espirituais”, teria decretado o mestre dos noviços daquela casa trapista.

A vocação religiosa do escritor passará agora por ampla pesquisa. Não se descarta a possibilidade de o moço estar “arrebatado” por uma grande frustração amorosa. Assunto para ‘doutores d’alma’. De qualquer forma, o tema é mantido em sigilo em Campo do Tenente. Os monges negam existir tal vocação literária em sua clausura.

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