Segundo o Soldado Fruet, “aqui na cidade de Foz do Iguaçu, 98% do pessoal que trabalha com turismo está desempregado, em casa, pedindo socorro e, por isso, o Governo tem que agir, se sensibilizar com essa classe e ajudar esse povo que está passando fome”

Na décima reunião da Frente Parlamentar do Coronavírus, realizada remotamente nesta quarta-feira (2), o presidente da Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Soldado Fruet (PROS), novamente reivindicou ajuda financeira do Governo do Estado para os trabalhadores autônomos do setor. “Quando a gente fez o projeto de lei [número 297/2020] para que o Estado desse a bolsa auxílio, e eu tenho fé que ainda pode ajudar estes profissionais neste momento, não era demagogia ou sensacionalismo. É para ajudar este pessoal que está, literalmente, passando fome”, defendeu.
Segundo o Soldado Fruet, “aqui na cidade de Foz do Iguaçu, 98% do pessoal que trabalha com turismo está desempregado, em casa, pedindo socorro e, por isso, o Governo tem que agir, se sensibilizar com essa classe e ajudar esse povo que está passando fome, que apesar de falar cinco ou oito idiomas, está vendendo roupa na praça ou salame para sobreviver”. O deputado destacou ainda que o turismo de Foz do Iguaçu só será efetivamente retomado quando forem reabertas as fronteiras. “Ninguém vem só para Foz. Um depende do outro: Argentina, Paraguai e Brasil. Como é uma tríplice fronteira, precisam abrir as três para funcionar o turismo”, apontou.
A convite do Soldado Fruet, o guia de turismo autônomo Marcelo da Silva expôs aos participantes da Frente Parlamentar a realidade dos profissionais do setor em Foz do Iguaçu. “Falo cinco idiomas: inglês, alemão, italiano, espanhol e português. São 20 anos de dedicação, investimento, cursos, tempo, atendendo gente de todo o mundo e levando o nome de Foz do Iguaçu e do Paraná para fora do País. É o que nos dá a alegria de viver, mas infelizmente ninguém contava com esta pandemia”, relatou, salientando que os impactos financeiros e psicológicos são muito grandes. “A conta está negativa, os fornecedores ligam cobrando. Estou vendendo salame e queijo para não deixar falta o básico para meus dois piazinhos. Tem muitos colegas guias e motoristas em processo de depressão e tristeza. Essa semana tive que ir no posto de saúde pois me deu crise de ansiedade, nervosismo”, contou.
Conforme o guia turístico, “essa retomada, para nós, não é tão verdadeira como muitos de fora pensam”. De acordo com ele, “apesar da reabertura das Cataratas do Iguaçu e de alguns atrativos turísticos, como a Itaipu, não tem turista, pois quem está vindo são pessoas do entorno, de Santa Helena, Itaipulândia, que não precisam de guia por já conhecerem a região. Por isso, 98% dos guias e motoristas estão parados e se reinventando, vendendo salame, roupa, perfume, planta…”. Silva concorda com o Soldado Fruet que “só vamos começar em falar da retomada do trade turístico de Foz do Iguaçu quando as fronteiras com a Argentina e o Paraguai reabrirem”.
