Por André Nunes com fotos de Lina Sumizono – A geração de artistas nonagenários brasileiros conta com monstros sagrados como Fernanda Montenegro, Laura Cardoso, Lima Duarte, Nathalia Timberg, Ary Fontoura, Tony Tornado e Glória Menezes. E ele, Othon Bastos. No alto de seus 93 anos, o baiano encara o primeiro monólogo de sua carreira no premiado “Não me entrego, não!“, em cartaz no teatro da Caixa Cultural Curitiba.

Para qualquer ator ou atriz, subir no palco sozinho por 90 minutos é tarefa hercúlea. Imagine em oito sessões, de quinta a domingo, por duas semanas. O veterano encara com leveza e inspiração cada um desses minutos, fazendo breves pausas, trocando peças da vestimenta e sentando-se ocasionalmente.
Em cena, o Othon Bastos transita por sua própria história, contando passagens divertidas e dramáticas da vida pessoal e profissional. No cinema (“Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, e O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, primeiro filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro de Cannes) e no teatro (“Um grito parado no ar”, de Gianfrancesco Guarnieri), são muitos os marcos da carreira de Othon relembrados em cena, refletindo sobre cada momento da carreira do ator.

A peça é uma lição de vida e de resiliência, de como enfrentar os obstáculos que se apresentam em nossa existência, e de como superá-los. Com texto e direção de Flávio Marinho, a montagem já ultrapassou a marca de 250 apresentações e 100 mil espectadores.

Quem assiste à peça ou vê as fotos pode estranhar a presença de mais uma atriz em cena. Othon Bastos tem a companhia de um “ponto”, a atriz Marta Paret, que traz observações às suas falas. Ele explica, de forma divertida, que teve a ideia de ter sua própria memória personificada em cena foi dele. “Achei que seria interessante ter uma espécie de ‘Alexa’ no palco comigo”, em alusão à assistente virtual desenvolvida pela Amazon.

Othon Bastos foi aclamado pela crítica e público, vencendo o prestigiado Prêmio Shell de Teatro 2025 (Melhor Ator), Prêmio Arcanjo 2025. A produção foi reconhecida no Prêmio Arte e Longevidade Rio 2024.
Para quem tem o privilégio de ver em cena um artista que testemunhou e participou dos grandes marcos do Cinema Novo, do teatro de oficina de Zé Celso Martinez Corrêa, com participações sempre especiais em novelas e filmes nas últimas décadas (destaque para sua potente atuação como o presidente Tancredo Neves em O Paciente, disponível na Netflix), assistir a “Não me entrego, não!” é uma experiência imperdível.
Para os curitibanos, a temporada vai até domingo 2 de agosto. Evoé! Viva, Othon!

Espetáculo “Não me entrego, não!” – Monólogo com Othon Bastos
- Local: CAIXA Cultural Curitiba – Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Centro
- Datas: de 23 de julho a 2 de agosto de 2026
- Horário: quinta a sábado às 20h, domingo às 19h
*Sessões com acessibilidade: sextas-feiras com tradução em Libras - Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
- Início das vendas: 18 de julho às 10h na bilheteria física e às 15h pelo site Bilheteria Digital
- Classificação: 12 anos
- Duração: 90 minutos
- Acessível para pessoas com deficiência
