domingo, 26 julho, 2026
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93 anos com fôlego: Othon Bastos não se entrega

Por André Nunes com fotos de Lina Sumizono – A geração de artistas nonagenários brasileiros conta com monstros sagrados como Fernanda Montenegro, Laura Cardoso, Lima Duarte, Nathalia Timberg, Ary Fontoura, Tony Tornado e Glória Menezes. E ele, Othon Bastos. No alto de seus 93 anos, o baiano encara o primeiro monólogo de sua carreira no premiado Não me entrego, não!, em cartaz no teatro da Caixa Cultural Curitiba.

Foto: @lina.sumizono

Para qualquer ator ou atriz, subir no palco sozinho por 90 minutos é tarefa hercúlea. Imagine em oito sessões, de quinta a domingo, por duas semanas. O veterano encara com leveza e inspiração cada um desses minutos, fazendo breves pausas, trocando peças da vestimenta e sentando-se ocasionalmente.

Em cena, o Othon Bastos transita por sua própria história, contando passagens divertidas e dramáticas da vida pessoal e profissional. No cinema (“Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, e O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, primeiro filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro de Cannes) e no teatro (“Um grito parado no ar”, de Gianfrancesco Guarnieri), são muitos os marcos da carreira de Othon relembrados em cena, refletindo sobre cada momento da carreira do ator.

Foto: @lina.sumizono

A peça é uma lição de vida e de resiliência, de como enfrentar os obstáculos que se apresentam em nossa existência, e de como superá-los. Com texto e direção de Flávio Marinho, a montagem já ultrapassou a marca de 250 apresentações e 100 mil espectadores.

Foto: @lina.sumizono

Quem assiste à peça ou vê as fotos pode estranhar a presença de mais uma atriz em cena. Othon Bastos tem a companhia de um “ponto”, a atriz Marta Paret, que traz observações às suas falas. Ele explica, de forma divertida, que teve a ideia de ter sua própria memória personificada em cena foi dele. “Achei que seria interessante ter uma espécie de ‘Alexa’ no palco comigo”, em alusão à assistente virtual desenvolvida pela Amazon.

Foto: @lina.sumizono

Othon Bastos foi aclamado pela crítica e público, vencendo o prestigiado Prêmio Shell de Teatro 2025 (Melhor Ator), Prêmio Arcanjo 2025. A produção foi reconhecida no Prêmio Arte e Longevidade Rio 2024.

Para quem tem o privilégio de ver em cena um artista que testemunhou e participou dos grandes marcos do Cinema Novo, do teatro de oficina de Zé Celso Martinez Corrêa, com participações sempre especiais em novelas e filmes nas últimas décadas (destaque para sua potente atuação como o presidente Tancredo Neves em O Paciente, disponível na Netflix), assistir a “Não me entrego, não!” é uma experiência imperdível.

Para os curitibanos, a temporada vai até domingo 2 de agosto. Evoé! Viva, Othon!

Foto: @lina.sumizono

Espetáculo “Não me entrego, não!” – Monólogo com Othon Bastos 

  • Local: CAIXA Cultural Curitiba – Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Centro
  • Datas: de 23 de julho a 2 de agosto de 2026
  • Horário: quinta a sábado às 20h, domingo às 19h
    *Sessões com acessibilidade: sextas-feiras com tradução em Libras
  • Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
  • Início das vendas: 18 de julho às 10h na bilheteria física e às 15h pelo site Bilheteria Digital
  • Classificação: 12 anos
  • Duração: 90 minutos
  • Acessível para pessoas com deficiência
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