O procurador Deltan Dallagnol no coquetel para entrega do Prêmio "Brasileiros do Ano 2019", em São Paulo (Zanone Fraissat - 2.dez.19/Folhapress)
Nas últimas semanas, o governo intensificou a entrega de cargos a políticos do chamado ‘centrão’
O procurador Deltan Dallagnol no coquetel para entrega do Prêmio “Brasileiros do Ano 2019”, em São Paulo (Zanone Fraissat – 2.dez.19/Folhapress)
(SÃO PAULO | UOL)
O procurador da República Deltan Dallagnol criticou a aproximação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) a políticos com histórico de corrupção. “Pouco a pouco, os mesmos políticos envolvidos em escândalos voltam a controlar a gestão de órgãos públicos e seus orçamentos”, afirmou em artigo publicado no jornal O Globo neste domingo (14).Dallagnol, uma das principais lideranças do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, disse que “o establishment político tem resistido a mudanças para reduzir a roubalheira”, o que enfraquece a confiança da sociedade na democracia.
Nas últimas semanas, o governo intensificou a entrega de cargos a políticos do chamado “centrão” —grupo de partidos antes hostilizado pelo discurso bolsonarista, por aceitar nomeações em troca de apoio. Para muitos apoiadores de Bolsonaro, a aproximação com o centrão é uma traição ao discurso anticorrupção que foi um dos focos durante a campanha eleitoral.
O procurador também criticou a escalada do discurso autoritário, a falta de apoio a projetos legislativos anticorrupção e a interferência do governo em órgãos de investigação —acusações semelhantes às feitas pelo ex-ministro Sergio Moro ao deixar o governo.
Pressão por mudança: Moro disse que o presidente cobrou dele a substituição da Superintendência do Rio e do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Bolsonaro teria insistido no pedido de relatórios de inteligência e informação da PF. (EVARISTO SA/Evaristo Sá/AFP)
“Notícias de interferência na polícia e órgãos de persecução, ausência de um apoio firme à causa anticorrupção, investigações sobre seus integrantes, rejeição do papel da ciência na formulação de políticas públicas em meio à crise sanitária, possíveis ligações com milícias e disseminação de notícias falsas, ataques às instituições e arroubos verbais contra a democracia minam a confiança da sociedade”, afirmou.